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Operações têm encontrado dificuldades na busca por vítimas e nenhum sobrevivente foi localizado desde sábado; União vai liberar R$ 800 milhões

Equipes de resgate em Brumadinho em Minas Gerais
Ricardo Stuckert / Fotos Públicas
Equipes de resgate em Brumadinho em Minas Gerais

Integrantes do governo federal já admitem que não será possível resgatar os corpos de todas as vítimas da tragédia decorrente do rompimento de uma barragem da Vale no município de Brumadinho, em Minas Gerais. De acordo com o último balanço divulgado pelas autoridades mineiras, ainda há  276 vítimas desaparecidas em meio à lama, que matou ao menos 84 pessoas já retiradas da área atingida.

“Este é um episódio de muita gravidade. Algumas pessoas, triste e lamentavelmente, não serão recuperadas", disse o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, após reunião do comitê de crise montado pelo Palácio do Planalto para acompanhar a situação de Brumadinho .

De acordo com o jornal Folha de S.Paulo , a impossibilidade de resgatar todos os corpos da lama foi levantada pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. 

O governo vem atuando, juntamente às autoridades de Minas Gerais , em busca de soluções para reduzir os impactos da tragédia de Brumadinho, que, no aspecto humano, já é mais de quatro vezes pior que a de Mariana, onde 19 pessoas morreram após rompimento de barragem da Samarco em 2015.

Especialistas de Israel já atuam no Brasil  no apoio aos bombeiros mineiros, que também já ganharam o reforço de militares e equipamentos de outros estados. Ainda assim, os trabalhos de resgate têm avançado lentamente.

Ao longo desta terça-feira, o quinto dia seguido de resgates, as equipes que atuam na área atingida conseguiram retirar dois corpos do local onde ficava o refeitório dos funcionários da Vale – mesmo a área tendo sido localizada ainda durante o fim de semana.

Os bombeiros não encontraram ninguém com vida em meio à lama da barragem desde a manhã do último sábado (26). 

"A situação agora entra em outro estágio, já que a possibilidade de encontrar pessoas com vida é realmente muito pequena", reconheceu no início desta noite o Tenente Pedro Aihara, porta-voz do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais.

O governo federal já adotou algumas medidas em resposta ao desastre  no município da região metropolitana de Belo Horizonte. Foram publicadas nesta terça-feira duas resoluções sobre o assunto, uma que recomenda ações e medidas de resposta à ruptura da barragem da Vale, e outra que institui um comitê com o objetivo de elaborar um projeto para atualizar as políticas de segurança de barragens.

Leia também: "Tragédia era evitável", diz juíza que decretou prisão de funcionários da Vale

A Vale anunciou, também na noite de hoje, que irá desativar todas as barragens da empresa construídas com o método amontante, o mesmo das envolvidas nos desastres em Mariana e em Brumadinho.

Além das resoluções supracitadas, o governo também decidiu antecipar o pagamento do Bolsa Família aos residentes da cidade e a liberação do FGTS àqueles que moram na área afetada pela tragédia. O porta-voz da Presidência, Otávio Santana do Rêgo Barros, anunciou que haverá também a liberação de R$ 800 milhões dos cofres da União para Brumadinho, mas a aplicação do recurso não foi detalhada até o momento.