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A onda de violência no estado teve início no dia 2 de janeiro e já tem mais de 20 atentados confirmados; ordens partiram de dentro dos presídios

Criminosos incendiaram uma creche na madrugada desta terça-feira, no Ceará
Reprodução/TV Globo
Criminosos incendiaram uma creche na madrugada desta terça-feira, no Ceará

Criminosos incendiaram uma creche na noite dessa segunda-feira (21) e explodiram uma bomba em uma subestação da distribuidora de energia Enel nesta madrugada em Caucaia, região metropolitana de Fortaleza. A onda de violência no Ceará já chega ao seu 21º dia e ao menos 228 ataques já foram confirmados em 48 cidades do estado. 

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Os atentados no Ceará começaram no dia 2 de janeiro e, nesta segunda-feira, três homens invadiram uma creche no bairro Jurema e colocaram fogo em uma das salas. Testemunhas afirmaram que ouviram barulho de um carro pouco antes do incêndio, o Corpo de Bombeiros foi acionado e conseguiu controlar as chamas. 

Na sala estavam guardados materiais escolares que seriam utilizados durante o ano, além de carteiras e uma geladeira, que também foram destruídos. A creche atende crianças a partir de 1 ano de idade e ficou fechada durante esta manhã. 

Criminosos também invadiram uma subestação de energia elétrica no Bairro Vila Pery e explodiram uma bomba, por volta de 2h. O barulho foi ouvido por moradores de vários bairros da região. No entanto, a explosão não causou falha na distribuição de energia da cidade. 

Equipes da Polícia Militar, Força Nacional, Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) e Perícia Forense estiveram no local após o crime, mas não repassaram informações sobre os estragos causados no local. Os suspeitos conseguiram fugir. 

A onda de violência no Ceará começou por ordens dadas de dentro dos presídios , após o governo criar a Secretaria de Administração Penitenciária e iniciar uma série de ações para combater o crime. O novo secretário, Luís Mauro Albuquerque, pediu a fiscalização e apreensão de celulares, drogas e armas de dentro das celas. 

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Após o cumprimento da determinação, autoridades tiveram acesso a áudios compartilhados entre membros de facções, que revelavam que as ordens para atacar ônibus e prédios públicos vinha de dentro dos presídios. Em uma das mensagens, um detento ordena "uns toca fogo na prefeitura, uns toca fogo nas coisa lá dos policial, tá ligado? [ sic ]". Outros áudios também revelam que a sequência de crimes é uma tentativa de fazer com que o secretário da Administração Penitenciária desista das medidas que tornam as fiscalizações mais rigorosas.

Em resposta aos ataques,  o Ministério da Justiça enviou mais um reforço para o estado. Dessa vez, novos 355 agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) foram enviados ao estado e chegaram na terça-feira (15). Eles estão trabalhando para evitar novas ações criminosas contra viadutos, torres de transmissão de energia e rodovias do estado.

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O governo do  Ceará  também convocou 1,2 mil policiais militares da reserva para combater os ataques, eles tiveram até quarta-feira (16) para se apresentar voluntariamente e receberão uma ajuda de custo de R$ 1,3 mil além do salário de aposentados para contribuir com o patrulhamento enquanto a onda de violência perdurar. Segundo a própria Secretaria de Segurança Pública, 800 se apresentaram e 150 já começaram a trabalhar na quinta-feira (17). Desde o dia 2 de janeiro, já são mais de 200 atentados confirmados no estado.


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