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Na 16ª noite seguida de ataques no Ceará, criminosos também usaram artefatos explosivos para tentar explodir uma ponte no bairro da Bela Vista

Criminosos atearam fogo a uma agência bancária em Fortaleza, no Ceará
Reprodução/SVM
Criminosos atearam fogo a uma agência bancária em Fortaleza, no Ceará

Criminosos explodiram uma bomba dentro de uma estação de metrô, incendiaram uma agência bancária e tentaram derrubar uma ponte em Fortaleza, no Ceará, na noite desta quarta-feira (16). Já é a 16ª noite seguida de ataques no estado, que começaram no dia 2 de janeiro e somaram 209 atentados confirmados. 

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Em mais uma noite de terror no Ceará , os bandidos atiraram diversas vezes no prédio de uma agência do Banco do Brasil, localizada às margens de uma rodovia no bairro Aerolândia, na zona leste de Fortaleza, depois invadiram o local e usaram gasolina para atear fogo na agência. Caixas eletrônicos e outros objetos foram atingidos, mas ninguém ficou ferido. O Corpo de Bombeiros foi acionado e conseguiu impedir que a agência fosse totalmente incendiada. O banco foi isolado, mas os criminosos conseguiram fugir. 

Por volta das 3h30, outros homens explodiram uma bomba em um poste da estação Couto Fernandes, na linha sul do Metrô . Equipes da Força Nacional e da Polícia Militar foram acionadas e reforçaram a segurança após o ataque. A estação ficou fechada e os trens não realizaram viagens durante a manhã. Na mesma noite, os criminosos usaram bombas para tentar explodir uma ponte na rua Chile, bairro da Bela Vista, também na capital cearense. O atentado danificou parte da ponte e um estourou um cano de esgoto que passa pelo local.

Em resposta aos ataques, o Ministério da Justiça enviou mais um reforço para o estado. Dessa vez, novos 355 agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) foram enviados ao estado e chegaram na terça-feira (15). Eles vão trabalhar para evitar novas ações criminosas contra viadutos, torres de transmissão de energia e rodovias do estado.

O governo do Ceará também convocou 1,2 mil policiais militares da reserva para combater os ataques, eles tiveram até quarta-feira (16) para se apresentar voluntariamente e receberão uma ajuda de custo de R$ 1,3 mil além do salário de aposentados para contribuir com o patrulhamento enquanto a onda de violência perdurar.

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Além destes, 406 agentes da Força Nacional e 143 policiais militares de outros estados foram deslocados para o Ceará para ajudar na segurança pública. Ao todo, 209 ataques criminosos já foram registrados em pelo menos 46 das 184 cidades do estado desde o dia 2 de janeiro. Segundo a Polícia Militar e a secretaria de Segurança Pública do estado, mais de 360 pessoas já foram detidas.

Áudios compartilhados entre membros de facções revelaram que as ordens para as ações contra ônibus, prefeituras e prédios públicos partiram de dentro dos presídios. Em uma revista rígida realizada no último dia 6 de janeiro, as autoridades apreenderam 407 celulares juntando todas as unidades prisionais do estado.

Em uma das mensagens interceptadas, um detento ordena "uns toca fogo na prefeitura, uns toca fogo nas coisa lá dos policial, tá ligado?". Outros áudios também revelam que diz que a sequência de crimes é uma tentativa de fazer com que o secretário da Administração Penitenciária, Luís Mauro Albuqurque, desista das medidas que tornam mais rigorosa a fiscalização nos presídios no Ceará, como a apreensão de drogas, armas e dos próprios celulares nas celas.

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Em entrevista concedida na noite de terça-feira (15) à GloboNews, o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro, comentou a onda de violência no  Ceará  e disse que a situação está "caminhando para a normalidade". "Com a cooperação entre o governo federal e estadual, os incidentes têm diminuído sensivelmente", disse antes de apresentar dados que indicam que, por volta do dia 6 de janeiro, os ataques atingiram o pico de 77 ocorrências e, agora, estão em menos de seis por dia.

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