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Mesmo com presença da Força Nacional, série de ataques continua no Ceará. Já foram registradas 177 ações criminosas em 43 cidades do estado. Confira

Ônibus são queimados pelo nono dia consecutivo desta que já é a maior onda de violência no Ceará em toda a história
Reprodução/Twitter
Ônibus são queimados pelo nono dia consecutivo desta que já é a maior onda de violência no Ceará em toda a história

A onda de violência no Ceará não para. Mesmo com a segurança pública do estado reforçada pela presença da Força Nacional desde o último sábado (5), quando o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro autorizou o envio, os ataques continuaram pela madrugada do 9º dia consecutivo. Nesta quinta-feira (10), os criminosos detonaram uma bomba num viaduto no bairro Parangaba, em Fotaleza, e queimaram ônibus.

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Felizmente, mesmo com a explosão, a estrutura do viaduto não foi comprometida e, na manhã desta quinta-feira (10), funcionários da prefeitura já trabalhavam para limpar e consertar os danos causados pela bomba detonada pelos criminosos. O deslocamento do metrô de Fortaleza, que passa pelo local, chegou a ser interrompido e uma estação ficou fechada por 1h30 no inícido desta manhã após mais um episódio de violência no Ceará .

Segundo a polícia, a explosão do viaduto chegou a ser ouvida por moradores de bairros vizinhos por volta das 0h40 desta quinta-feira (10). O impacto do explosivo deixou buracos na estrutura da parte inferior do equipamento e o esquadrão antibombas da Polícia Militar foi acionada para comparecer ao local. Depois disso, uma equipe de engenheiros da Prefeitura de Fortaleza foi acionada para analisar a estrutura do viaduto enquanto agentes da Força Nacional faziam a segurança da região, que chegou a ser isolada com o temor de um desabamento.

Esse, no entanto, não foi o primeiro viaduto a ser explodido por criminosos. Além de, conforme informou a polícia, o esquadrão antibombas já ter apreendido um material explosivo na estação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) na quarta-feira (9) antes de ser detonado, próximo de onde fica o viaduto atacado nesta quinta-feira (10), um outro caso foi registrado na terça-feira (8).

Na ocasião, criminosos tentaram explodir a Ponte dos Tapebas, localizada na BR-222, próxima ao município de Caucaia. A exemplo do que aconteceu nesta quinta-feira (10), os bandidos agiram de madrugada e implantaram a bomba por volta das 2h da manhã. Neste caso, porém, os  criminosos conseguiram detonar o explosivo com sucesso antes da chegada de qualquer autoridade de segurança pública e a explosão causou prejuízos ao danificar parte do piso da ponte e fazer um buraco na pista que obrigou a interdição do viaduto.

Como já virou rotina, além da explosão do viaduto, a população amanheceu com mais um ônibus incendiado após a ação de criminosos  nesta madrugada no bairro Jardim Fluminense, também em Fortaleza. O coletivo estava no fim da linha, estacionado em frente a uma escola municipal, quando criminosos mandaram os ocupantes saírem do veículo, jogaram combustível no transporte e atearam fogo. Ninguém ficou ferido.

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Mesmo com 177 ações criminosas registradas em 43 das 184 cidades do estado, o número de vítimas é pequeno: apenas uma pessoa morreu e outra ficou ferida como decorrência da onda de violência no Ceará. Segundo os agentes de segurança, esse é um sinal de que os ataques criminosos iniciados no dia 2 de janeiro são um protesto contra o poder público. Hipótese reforçada pelo fato da série de ataques ter começado focada em prédios públicos.

Os crimes são atribuídos a facções criminosas que atuam no estado, como o Comando Vermelho (CV) e os Guardiões do Estado (GDE). Os atos seriam uma retaliação à declaração do novo secretário de Administração Penitenciária, Luís Mauro Albuquerque, nomeado pelo novo governador Camilo Santana (PT). O secretário declarou que o estado não reconheceria facções criminosas e os presos poderiam ser misturados nas mesmas alas dentro do presídio.

21 detentos foram transferidos de penitenciárias no Ceará para presídios federais de segurança máxima
Divulgação/Sejus
21 detentos foram transferidos de penitenciárias no Ceará para presídios federais de segurança máxima

Desde o início da onda de violência no Ceará, 239 suspeitos já foram detidos. Além disso, o governo do Ceará transferiu vinte presos, na madrugada de quarta-feira (9), para a Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte. A ação foi realizada em conjunto entre o governo estadual, o Departamento Penitenciário Nacional e a Polícia Rodoviária Federal.

Diante da não-redução da onda de violência no Ceará, a Força Nacional também reforçou o contingente com mais 106 homens que foram enviados ao estado na terça-feira (8) e se juntaram aos mais de 300 outros agentes que já estavam no estado desde o final de semana.

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Além das forças federais, outros estados também estão ajudando na segurança do Ceará . O governo da Bahia enviou na última semana 100 policiais militares para o Ceará. Outros 43 policiais militares e agentes de inteligência do Piauí, Pernambuco e Santa Catarina também estão no estado.

Apesar do número reduzido de vítimas, os moradores do estado tem enfrentado uma série de transtornos. Isso porque, com o avanço dos ataques, os cidadãos estão tendo dificuldades para se locomover de casa para o trabalho. Segundo relatos, desde que policiais militares passaram a andar dentro dos coletivos, o transporte começou a se normalizar durante o dia, mas no retorno para casa à noite, o medo ainda toma conta porque é ao anoitecer que a maioria dos ataques tem sido realizados.

Criminosos deflagraram onda de ataques no Ceará após declaração do novo secretário de Administração Penitenciária
Reprodução
Criminosos deflagraram onda de ataques no Ceará após declaração do novo secretário de Administração Penitenciária

Há problemas também com o transporte escolar e a coleta seletiva de lixo. As empresas que atuam na limpeza do estado tiveram que reduzir a circulação de caminhões que recolhem os resíduos nas cidade e o lixo já se acumula nas ruas e principais avenidas de Fortaleza.

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Diante da violência no Ceará , o turismo também teve uma queda por conta da insegurança em plena alta temporada. A rede hoteleira que contava com 85% da capacidade ocupada, já contabiliza uma redução para 65% com o cancelamento de reservas. Os prejuízos, no entanto, só poderão ser contabilizados ao final da série de ataques, a princípio, ainda sem hora para acabar.

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