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Pesquisa do instituto mostra que dois terços da população brasileira querem maior fiscalização de entrada nas fronteiras; Bolsonaro promete ser rigoroso

Após crise em Roraima, 66% dos brasileiros se dizem contra maior controle de imigrantes
Marcelo Camargo/Agência Brasi - 4.5.18
Após crise em Roraima, 66% dos brasileiros se dizem contra maior controle de imigrantes

Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Datafolha, na tarde desta sexta-feira (28), revelou que 66% dos brasileiros querem um controle maior na entrada dos imigrantes no País.  2.077 pessoas de 130 municípios participaram da enquete, que foi realizada nos dias 18 e 19 de dezembro.

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A pergunta feita para os participantes foi: "O Brasil deve controlar mais a entrada de imigrantes ?". 42% das pessoas responderam que concordam totalmente, enquanto 24% concordaram parcialmente. 

1% das pessoas disse que não concordam e nem discordam, enquanto 2% não souberam responder. 12% disseram discordar em parte, enquanto 18% discordaram totalmente da ideia. 

O presidente eleito, Jair Bolsonaro , parece concordar com a maior parte dos brasileiros. O futuro chefe de estado disse que "não é contra imigrantes", mas que devem haver critérios mais rigorosos para a entrada no Brasil. "Caso contrário, no que depender de mim, não entrarão", disse.

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Quando aos refugiados da Venezuela que foram para o estado de  Roraima , Bolsonaro adotou um tom mais brando, e se mostrou contra "devolver" as pessoas ao seu país de origem. “Eles [o povo venezuelano] não são mercadoria nem objeto para serem devolvidos", afirmou.

O presidente eleito ainda argumentou que os venezuelanos estão fugindo de uma ditadura e que, mesmo com as dificuldades em Roraima , o Brasil não pode abandonar o povo do país vizinho à própria sorte. Ele também afirmou que esteve em Roraima duas vezes nos últimos quatro anos e que viu que o estado não conseguirá resolver o problema sozinho.

Como medida para tentar resolver o problema, o capitão da reserva ainda defendeu a criação "campos de refugiados, talvez, para atender aos venezuelanos que fogem da ditadura de seu país", além de uma postura mais firme em relação ao controle migratório. "Porque do jeito que estão fugindo da fome e da ditadura, tem gente também que nós não queremos no Brasil", completou. 

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Bolsonaro declarou, ainda, que o governo brasileiro deveria ter se antecipado ao problema.  "Se tivesse um governo democrático há algum tempo, nós deveríamos tomar outras providências como, por exemplo, excluir a Venezuela do Mercosul. A Venezuela não pode ser tratada como país democrático", disse.

A crise migratória em Roraima será um dos grandes problemas nos primeiros anos do novo governo. De acordo com a Casa Civil, mais de 75 mil imigrantes venezuelanos já pediram para se regularizar em Roraima entre 2015 e agosto deste ano.

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