Tamanho do texto

Chefe da Segurança no RJ, Roberto Sá defendeu que "quanto mais longe o traficante estiver, melhor", mas situação pode ser repensada caso Rogério 157 esteja disposto a entregar outras lideranças do crime organizado

Após mais de três meses de buscas, traficante Rogério 157 foi preso no dia 6 de dezembro em favela da zona norte do Rio
Tânia Rego/Agencia Brasil - 6.12.17
Após mais de três meses de buscas, traficante Rogério 157 foi preso no dia 6 de dezembro em favela da zona norte do Rio

O traficante Rogério 157,  preso na semana passada após mais de três meses de buscas incessantes, poderá evitar sua transferência para uma penitenciária federal longe do Rio de Janeiro caso firme um acordo de delação premiada. A possibilidade foi revelada nesta terça-feira (12) pelo secretário estadual de Segurança Pública, Roberto Sá.

O secretário disse que o pedido de transferência já foi feito ao Departamento Penitenciário Nacional (Depen), órgão vinculado ao Ministério da Justiça. Mas a situação poderá ser repensada caso Rogério 157 – que foi pivô da guerra entre facções ocorrida em setembro na favela da Rocinha – esteja disposto a entregar outras lideranças do crime organizado no Rio.

"Se surgir uma possibilidade de delação, obviamente essa relação de custo-benefício vai ser melhor e a gente repensa isso para que ele possa fazer nessa delação a entrega de outras estruturas do crime", afirmou Sá durante evento na Escola Superior de Guerra. "Se os investigadores tiverem uma linha de delação que favoreça a descoberta de outros criminosos em um escalão acima dele e de tal impacto na segurança pública no Rio, a gente pode rever."

O secretário explicou, no entanto, que ainda não foi comunicado oficialmente da possibilidade de um acordo com o antigo chefe do tráfico de drogas na Rocinha.

Sá disse que a opção de transferir o criminoso para outro estado deve-se à necessidade de dificultar a articulação de seu grupo. "Presos com esse nível de liderança e com essa capacidade de mobilizar outros criminosos para criar um conflito como aquele [da favela da Rocinha], quanto mais longe, melhor", afirmou.

A guerra que tomou a favela da Rocinha, na zona sul do Rio , e ganhou o noticiário nacional em setembro decorreu do rompimento da aliança entre Rogério 157 e o traficante Nem da Rocinha, ex-número-um do tráfico na comunidade que está preso em uma penitenciária federal em Rondônia.

Os intensos confrontos entre os grupos de Rogério e Nem levaram o governo fluminense a pedir socorro ao governo federal, que autorizou o envio das Forças Armadas à favela. A ocupação militar fez com que Rogério 157 fugisse da Rocinha, sendo capturado somente na última quarta-feira (6) em uma comunidade na zona norte da cidade. 

Leia também: Rogério 157 foi preso escondido debaixo de cobertor e tentou subornar policiais

Atrasos em salários

O secretário Roberto Sá também comentou nesta terça-feira o atraso de salários dos servidores da área de segurança pública, que ainda não receberam o pagamento do Regime Adicional de Serviço [RAS] e de prêmios de cumprimento de metas.

Sá disse que  negocia com a a Secretaria de Estado de Fazenda a possibilidade de manter esses programas no ano que vem, o que, segundo ele, ainda depende da capacidade de arrecadação do estado.

"São duas estratégias criadas quando eu era subscretário, na minha subsecretaria, e que não posso usar como secretário", disse Sá, que foi subsecretário de José Mariano Beltrame, seu antecessor na pasta.

Leia também: Após prisão, policiais tiram selfies sorridentes ao lado de Rogério 157

*Com reportagem da Agência Brasil