
Mais de 18 toneladas de pirarucu foram retiradas da Reserva Extrativista (Resex) Rio Cautário, em Costa Marques, em Rondônia. A ação capturou 361 exemplares do peixe, considerado uma espécie invasora na bacia do rio, e integra um trabalho de manejo para controlar sua presença na unidade de conservação.
Realizada em duas etapas, a iniciativa também gerou renda para a população local. Cerca de 40 extrativistas participaram das atividades, desde a captura dos animais até a limpeza do pescado. Ao todo, o trabalho movimentou aproximadamente R$ 180 mil, segundo informações divulgadas pelo Portal Amazônia, com dados da Rede Amazônica.
A operação contou com acompanhamento técnico da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental de Rondônia (Sedam) e parceria do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Os participantes foram representados pela Associação dos Seringueiros do Vale do Guaporé (Aguapé).
Pirarucu de quase 138 quilos foi capturado
Um dos exemplares chamou a atenção pelo tamanho, já que o peixe media 2,46 metros e pesava quase 138 quilos. De acordo com a Sedam, é o maior pirarucu já registrado em uma unidade de conservação de Rondônia.
A espécie pode ultrapassar dois metros de comprimento e atingir grandes dimensões. Apesar de ser nativo da Amazônia, o pirarucu é considerado invasor em determinados ambientes onde sua presença pode afetar o equilíbrio ecológico.

Por isso, o manejo no Rio Cautário tem como objetivo controlar e buscar a erradicação da espécie nessa área específica. A classificação como invasora não significa que o peixe seja exótico em toda a Amazônia, mas que sua ocorrência em determinados locais exige medidas de controle ambiental.
Pesca manejada ocorreu em duas etapas
O trabalho foi dividido em dois períodos, entre agosto e outubro de 2026. Na primeira fase, realizada de 10 de agosto a 5 de setembro, foram capturados 159 peixes, que somaram mais de 11 toneladas.
A segunda etapa ocorreu de 14 de setembro a 10 de outubro. Nesse intervalo, outros 202 exemplares foram retirados, totalizando quase oito toneladas.
Somadas, as duas fases resultaram na captura de 361 pirarucus e em um volume superior a 18 toneladas de pescado.
Manejo gera renda para famílias extrativistas
Além do objetivo ambiental, a iniciativa contribui para a economia das comunidades que vivem na região. Os moradores participaram de diferentes etapas do processo, com remuneração pelo trabalho realizado.
Segundo as informações divulgadas, os extrativistas que atuaram nas duas fases receberam uma renda individual estimada em aproximadamente R$ 6 mil.
A ação também busca fortalecer a organização comunitária e valorizar o trabalho tradicional dos moradores na conservação do território. A participação dos extrativistas permite associar o controle da espécie à geração de renda para as famílias que dependem das atividades realizadas na reserva.