Incêndio na Indonésia
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Incêndio na Indonésia

O Sudeste Ásiatico passa pela temporada de incêndios florestais, agravados pelo El Niño . Na Indonésia , principalmente nas províncias de Sumatra e Kalimantan, os bombeiros testam novas formas de conter as queimadas. Dentre elas, está uma tecnologia brasileira produzida em Goiás pela Realiza Antichamas, um pó antichamas que promete tornar a água utilizada pelos brigadistas 10 vezes mais eficaz.

Desde o começo de 2026, a Indonésia enfrenta um aumento nos focos de incêndio. Entre janeiro e julho, mais de 202 mil hectares foram devastados, principalmente nas ilhas de Sumatra e Kalimantan, um aumento de 69% em relação ao ano passado. 

O maior problema reside no fogo em áreas de turfa seca, que são camadas espessas de matéria orgânica vegetal em decomposição que queimam por semanas abaixo da superfície, tornando a água lançada de cima ineficaz para apagá-lo completamente. Essa combustão subterrânea gerou uma névoa que já se espalhou por países vizinhos como Malásia, Singapura, Filipinas e Timor-Leste. 

Em função dessas características do solo, o fogo reacende quando retorna para superfície. Diante dessa falha, as autoridades indonésias buscaram alternativas que mantivessem o solo úmido e contivessem a combustão contínua. 

As brigadas de incêndio de Sumatra e Kalimantan começaram os testes do pó antichamas no início de outubro, em regiões como Sematang Borang e Palembang. O Grupo Realiza doou 500 kg do pó ao país para realização dos testes. Essa quantidade é capaz de produzir 1 milhão de litros de solução e, até o momento, cerca de um quinto do total doado já foi utilizado. 


O que é essa tecnologia brasileira?

O Realiza Antichamas é um pó solúvel em água que forma um gel supressor de incêndios quando diluído. Desenvolvido pelo Grupo Realiza, o produto é composto por sacarose e celulose, substâncias que formam um aditivo à base de carboidratos polissacarídeos. A mistura modifica as propriedades físicas da água e ajuda a manter a umidade do solo, dificultando a propagação do fogo e reduzindo o risco de reignição.

Segundo a fabricante, o produto pode tornar a água até dez vezes mais eficaz no combate às chamas. A tecnologia foi desenvolvida para auxiliar no controle de incêndios, especialmente em áreas de turfa, onde a vegetação em decomposição pode continuar queimando abaixo da superfície mesmo depois que as chamas aparentes são apagadas.

Testes na Indonésia

Os primeiros testes realizados na Indonésia indicaram resultados promissores, mas ainda não comprovaram a capacidade do produto de extinguir incêndios subterrâneos de grandes proporções.

Sulaiman, bombeiro de Palembang, relatou uma diferença já na primeira utilização. “Ele endurece o solo e ajuda a impedir que o fogo reacenda”, disse ao The Straits Times em 14 de outubro.

Durante uma demonstração em Sematang Borang, nos arredores de Palembang, o jornal observou que uma faixa de solo tratada com o gel não pegou fogo quando as chamas chegaram até ela. O teste, no entanto, não demonstrou se a solução conseguiria alcançar focos de combustão em camadas profundas de turfa.

Valdiney Koch, diretor-executivo do Grupo Realiza, afirmou que o produto apresentou “100% de eficácia na Indonésia” durante o encontro realizado em 15 de outubro. Paolo Barroso, diretor técnico da empresa, adotou uma avaliação mais cautelosa. “Para ser sincero, até agora fizemos alguns testes, e eles apresentaram resultados bons e positivos”, disse ao jornal.

Segundo Barroso, o gel consegue manter o solo úmido e impedir que o fogo reacenda por até 72 horas. A equipe ainda investiga, porém, até que profundidade a mistura consegue penetrar. O teste mais profundo relatado envolveu um incêndio a dois metros abaixo da superfície, combatido com a injeção do produto por meio de um tubo perfurado de aproximadamente 1,5 metro.

O ministro coordenador de Assuntos Políticos e de Segurança da Indonésia, Dudung Abdurachman, também reconheceu que os testes ainda são limitados. “Ainda é algo limitado, apenas um teste. Mas vamos desenvolvê-lo”, afirmou.

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