
Um peixe de cerca de 2,46 metros de comprimento e mais de 100 quilos foi capturado na Reserva Extrativista Estadual Rio Cautário, em Costa Marques, cidade do estado de Rondônia, na fronteira com a Bolívia.
De acordo com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam), o peixe é da espécie Pirarucu e é o maior exemplar da espécie já registrado em uma Unidade de Conservação (UC) de Rondônia.
Ao todo, o animal pesa 137,9 quilos. Ele foi capturado nesta última quarta-feira (23) durante um trabalho de manejo voltado ao controle e à erradicação da espécie. O pirarucu é considerado uma espécie invasora na bacia do Rio Cautário, que fica dentro da unidade de conservação.
O projeto de erradicação é realizado pela Sedam em parceria com a associação de extrativistas da região, que participa de todas as etapas do manejo, da captura dos peixes à limpeza do pescado.
Após estas etapas, os peixes são vendidos a um frigorífico parceiro, que é responsável pelo fornecimento de câmaras frias, 50% do gelo e pelo transporte.
Dessa forma, o valor arrecadado com a comercialização do peixe é dividido entre os manejadores que participaram do projeto. Em 2025, segundo a Sedam, cada participante recebeu, em média, cerca de R$ 5 mil pelos trabalhos na unidade de conservação.
Pirarucu
O pirarucu é um dos maiores peixes de águas doces do Brasil, sendo nativo dos rios e lagos da Bacia Amazônica. Por isso, ele é conhecido também como o "gigante da Amazônia".
O nome pirarucu se originou de dois termos tupis: pirá, "peixe", e uruku, nome de uma tinta vermelha extraída do urucum.
O animal foi introduzido artificialmente em outras bacias hidrográficas do país e, por isso, passou a ser considerado uma espécie invasora, que ameaça outros ecossistemas, como o do Rio Cautário.
O mesmo problema acontece em rios de São Paulo, do Rio de Janeiro e até do Rio Grande do Sul. Nessas áreas, para proteger a fauna nativa, são comuns as ações de manejo para o controle e a erradicação do pirarucu.
Espécies invasoras
As espécies exóticas invasoras são animais, plantas ou microrganismos que foram levados para fora de seu habitat natural e colocados artificialmente em outros locais.
Normalmente, eles que se reproduzem sem controle e ameaçam a biodiversidade local, competindo por espaço e alimento. Eles também transmitem doenças e destroem o habitat de espécies nativas.
Recentemente, o Ibama publicou uma nova norma para combater a invasão de peixes marinhos exóticos no litoral brasileiro. Além do pirarucu, outras espécies são conhecidas por serem invasoras, como o peixe-leão e o peixe-sapo.
Algumas espécies já estão causando impacto real e as medidas são feitas para proteger a biodiversidade marinha do país.