Avião ligado a Daniel Vorcaro
Divulgação/Polícia Federal
Avião ligado a Daniel Vorcaro

A Força Aérea Brasileira (FAB) colocou um sigilo de até 100 anos sobre a lista de passageiros do avião do ex-banqueiro e dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. As informações são do Metrópoles e foram divulgadas nesta quinta-feira (15).

De acordo com o Comando da Aeronáutica, é necessário proteger a intimidade e a vida privada desses passageiros em resposta a um pedido de Lei de Acesso à Informação (LAI). Sendo assim, foi invocado o artigo 31 da LAI, que estabelece o sigilo dos 100 anos.

Na solicitação à FAB, o órgão foi questionado sobre o plano de voo da aeronave de prefixo PS-FST, entre os dias 10 e 20 de novembro de 2025.

Nesse período, Vorcaro foi preso no Aeroporto de Guarulhos. Ele estava prestes a embarcar para o país de Malta, na Europa, em uma outra aeronave.

A FAB informou que o itinerário de uma aeronave individualizada, em datas determinadas, permite associar deslocamentos aos dirigentes, sócios e demais usuários. Eles são identificáveis por meio do cruzamento com registros públicos.

Sendo assim, a proteção garante a intimidade e a vida privada desses titulares, conforme disse o órgão.

Além disso, a FAB também explicou que o histórico individualizado de planos de voo de um mesmo veículo permite o rastreamento retrospectivo e a construção de perfil de deslocamento dessas pessoas, o que agrava a afetação à intimidade e à vida privada.

O  uso do avião do ex-banqueiro  passou a ser alvo de denúncias e polêmicas divulgadas pela  Polícia Federal (PF), e pela imprensa, já durante o período eleitoral. Autoridades e figuras políticas que utilizaram a  aeronave de Vorcaro  passaram a ser associadas, desde então, à vida pessoal do banqueiro e ao escândalo do Banco Master.

Entre eles, estão o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e o candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL).

O iG procurou a FAB, por e-mail e telefone, para obter um posicionamento sobre as informações divulgadas. Sem dar detalhes, o órgão informou que o caso está sob apuração. O espaço para mais esclarecimentos segue aberto.

Banco Master

O colapso do Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025, abriu uma série de investigações da Polícia Federal e intensificou embates entre o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Cerca de 800 mil clientes aguardam o reembolso de investimentos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Segundo o fundo, o valor total a ser pago em garantias será de R$ 40,6 bilhões.

O Banco Master, como é conhecido hoje, foi uma instituição financeira brasileira com sede na região da Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo. Recebeu aprovação do Banco Central do Brasil para atuar como instituição financeira a partir de 1990, dando origem ao Banco Máxima. Antes disso, em 1974, foi fundada a Máxima Corretora de Títulos e Valores Mobiliários.

Quem é Daniel Vorcaro

Daniel Vorcaro, de 42 anos, ganhou projeção no mercado financeiro após assumir o antigo Banco Máxima e comandar a transformação da instituição no Banco Master. O empresário também ficou conhecido por investimentos fora do setor bancário e por um patrimônio que incluía jatos particulares. O iG já mostrou a trajetória do empresário e os negócios que o colocaram no centro do mercado financeiro.

Vorcaro entrou na mira da Polícia Federal na Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Ele foi preso pela primeira vez em novembro de 2025 no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar para o exterior. Foi solto dias depois sob medidas cautelares, mas voltou a ser preso em 4 de março deste ano.

A nova etapa da investigação apura suspeitas de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos. A defesa do empresário nega irregularidades.

Nesta quinta-feira (15),  Vorcaro irá depor por videoconferência à Polícia Federal. A oitiva tem como objetivo esclarecer a compra e venda do Master pelo Banco de Brasília (BRB).

De acordo com as investigações, houve fraude de R$ 12 bilhões e pagamento de propina a Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB preso desde abril.


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