Os equipamentos foram instalados nos quilômetros 17 e 18 e utilizam inteligência artificial para identificar algumas das principais infrações cometidas dentro dos veículos
Foto: Arteris
Os equipamentos foram instalados nos quilômetros 17 e 18 e utilizam inteligência artificial para identificar algumas das principais infrações cometidas dentro dos veículos

Um trecho da Rodovia Raposo Tavares (SP-270), na capital paulista, registrou queda de 22% nos acidentes após a instalação de câmeras equipadas com inteligência artificial. A redução foi observada entre os quilômetros 15 e 20 da rodovia.

Segundo dados do Centro de Controle Operacional da Ecovias Raposo Castello, foram registrados 67 acidentes em julho e agosto de 2026, contra 86 no mesmo período de 2025.

O resultado também chama atenção pela gravidade das ocorrências. Os casos que deixaram vítimas graves ou fatais passaram de cinco para apenas um, uma redução de 80%.

No  trecho completo da Raposo Tavares administrado pela concessionária, entre os quilômetros 10,9 e 34, a queda foi menor. O número de acidentes passou de 262 para 253 na comparação entre os mesmos períodos, uma redução de 3,5%.

Câmeras identificam celular e falta de cinto

Os equipamentos foram instalados nos quilômetros 17 e 18 e utilizam inteligência artificial para identificar algumas das principais infrações cometidas dentro dos veículos.

Entre as situações detectadas estão motoristas ou passageiros sem cinto de segurança e condutores que utilizam ou manuseiam o celular enquanto dirigem.

Durante 30 dias de testes, entre agosto e setembro, o sistema contribuiu para 2.136 autuações, uma média de aproximadamente 75 registros por dia.

A falta do cinto foi responsável por 1.386 ocorrências, o equivalente a 59,84% do total. Já o uso do celular ao volante correspondeu a 930 registros, ou 40,16%.

As imagens são encaminhadas em tempo real à Polícia Militar Rodoviária, que analisa os casos e pode realizar a autuação. A concessionária responsável pela rodovia não aplica as multas diretamente.

Tecnologia não substitui radar de velocidade

Apesar de conseguir identificar diferentes comportamentos dos motoristas, as câmeras de inteligência artificial não estão homologadas para fiscalizar excesso de velocidade.

Nesse caso, a fiscalização continua sendo feita por radares devidamente aferidos e por equipamentos portáteis utilizados pela Polícia Militar Rodoviária.

A Ecovias prevê ampliar o uso das câmeras inteligentes para outros pontos da Raposo Tavares e também da Rodovia Castello Branco.

Sistema começa a chegar a outras estradas

A tecnologia vem sendo testada e ampliada em diferentes rodovias concedidas do estado de São Paulo. A previsão é que câmeras com inteligência artificial também sejam utilizadas em trechos administrados por concessões como Rodoanel Norte, Tamoios, Entrevias, ViaPaulista, Eixo SP, Ecovias Norte Paulista, CNL, Ecovias Raposo Castello e Sorocabana.

Na SP-255, na região de Araraquara, a Arteris também realiza testes com equipamentos semelhantes. De acordo com a concessionária, o sistema contribuiu para uma redução de aproximadamente 50% nas mortes e nos feridos e de até 88% no descumprimento de normas de trânsito.

Especialista vê efeito na segurança

Para Rodolfo Rizzotto, coordenador do SOS Estradas, o uso de tecnologia aliado à fiscalização pode contribuir para reduzir acidentes e mortes no trânsito.

Segundo ele, os resultados registrados nos trechos monitorados reforçam a importância de mecanismos que aumentem a fiscalização e reduzam a sensação de impunidade entre os motoristas.

A proposta é utilizar as imagens para identificar comportamentos que aumentam o risco de acidentes, especialmente o uso do celular durante a direção e a falta do cinto de segurança.

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