
Duas câmeras equipadas com inteligência artificial identificaram 2.316 infrações de trânsito em apenas um mês de funcionamento na Rodovia Raposo Tavares, em São Paulo. Os equipamentos começaram a aplicar multas em 03 de agosto e estão instalados nos km 17 e 18 da estrada.
A tecnologia é utilizada principalmente para detectar duas condutas de risco: falta do cinto de segurança e uso de celular ao volante. Os dados foram divulgados pela Polícia Militar Rodoviária.
Mais de 1,3 mil casos envolveram falta de cinto
A maior parte das autuações registradas no primeiro mês ocorreu por falta de cinto de segurança.
Foram 1.386 multas, o equivalente a cerca de 60% do total. Desse número, 779 envolviam motoristas e outras 607, passageiros.
A fiscalização vale também para quem está no banco dianteiro como passageiro. Pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), deixar de usar o cinto é uma infração grave.
A penalidade é de R$ 195,23 e cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Celular ao volante também está no radar
As câmeras registraram ainda 930 infrações relacionadas ao uso de telefone celular ou fones de ouvido durante a condução.
Entre os casos envolvendo celular, foram:
- 579 registros de motoristas manuseando o aparelho;
- 256 casos de condutores dirigindo enquanto seguravam o celular;
- 94 ocorrências de utilização do telefone;
- 1 flagrante de motorista dirigindo com fones de ouvido.
Dirigir segurando ou manuseando o celular é considerado infração gravíssima. A multa é de R$ 293,47, com acréscimo de sete pontos na CNH.
Como funciona a fiscalização por inteligência artificial
Apesar de identificar automaticamente situações suspeitas, a câmera não aplica a multa sozinha.
O equipamento capta imagens em alta qualidade e utiliza inteligência artificial para identificar comportamentos que podem representar infrações. Quando um possível caso é detectado, a imagem é encaminhada para a Polícia Militar Rodoviária.
Um agente analisa o registro e verifica se a conduta realmente caracteriza uma infração. Somente depois dessa confirmação a autuação é emitida.
A tecnologia também consegue registrar imagens durante a noite e de veículos em movimento, ampliando a capacidade de fiscalização em comparação com a presença de agentes em pontos específicos da rodovia.
Equipamentos já tinham chamado atenção nos testes
Antes de começarem a gerar multas, as câmeras passaram por uma fase de testes.
Em uma avaliação realizada durante 72 horas, os equipamentos identificaram aproximadamente 1 mil casos de falta de cinto e uso de celular na Raposo Tavares.
Naquele momento, entretanto, os flagrantes ainda não resultavam em penalidades, já que a integração com a Polícia Militar Rodoviária não estava em funcionamento.
Os equipamentos começaram a ser instalados em março e ficam nos dois sentidos da rodovia, em um trecho considerado de características urbanas e com grande fluxo de veículos. A escolha dos pontos também levou em consideração a ocorrência de colisões traseiras provocadas por situações de trânsito intenso e pela falta de atenção dos motoristas.
Tecnologia deve chegar a mais rodovias
A fiscalização por inteligência artificial vem ganhando espaço nas rodovias paulistas.
No sistema administrado pela Ecovias Raposo Castello, a concessionária já informou que pretende instalar mais duas câmeras com tecnologia semelhante, sendo uma delas na própria Raposo Tavares e outra na Rodovia Castelo Branco. Ainda não havia uma data definida para a instalação.
A tecnologia também já está presente em outros trechos do estado. No Rodoanel, por exemplo, equipamentos de inteligência artificial passaram a fazer parte do monitoramento das rodovias, ampliando a identificação de comportamentos considerados de risco.
A expansão acompanha uma mudança na fiscalização das estradas: em vez de depender exclusivamente da observação presencial de agentes, as concessionárias passam a utilizar sistemas capazes de analisar continuamente o comportamento dos veículos.
Rodoanel também terá câmeras com reconhecimento facial
O avanço da tecnologia não deve ficar restrito à identificação de infrações.
A Artesp prevê a instalação de câmeras com inteligência artificial e reconhecimento facial no Rodoanel, dentro de um projeto de monitoramento dos 174 quilômetros do anel viário que contorna a Região Metropolitana de São Paulo.
A proposta inclui monitoramento em tempo real e está relacionada também à segurança da rodovia, que possui histórico de ocorrências envolvendo roubos de veículos e cargas. A previsão é que a primeira etapa dos projetos executivos seja concluída em dezembro de 2026, com início das obras previsto para janeiro de 2027.
O que muda para o motorista
Na prática, as novas câmeras não criam novas infrações. Usar celular ao volante e deixar de usar o cinto já são condutas proibidas pelo Código de Trânsito Brasileiro.
O que muda é a capacidade de fiscalização.
Com a inteligência artificial, comportamentos que antes poderiam passar despercebidos por um agente que não estivesse próximo do veículo passam a ser identificados por câmeras que acompanham o fluxo continuamente.
A tendência é que esse tipo de tecnologia esteja cada vez mais presente nas rodovias paulistas, aumentando a fiscalização sobre atitudes que representam risco para motoristas e passageiros.