Fila de votação para o primeiro turno das Eleições 2026, em Juiz de Fora (MG)
Pedro Emerenciano/iG
Fila de votação para o primeiro turno das Eleições 2026, em Juiz de Fora (MG)

O  primeiro turno das Eleições 2026  terminou no domingo (04), mas parte do que aconteceu antes e durante a votação ainda está sob apuração. Boca de urna, suspeitas de compra de votos, falsidade em documentos eleitorais e propaganda irregular aparecem entre os casos reunidos pela Polícia Federal ao longo de 2026.

O painel “Casos Eleitorais em Andamento”, consultado pelo iG por volta das 3h desta terça-feira (06), registrava 1.347 inquéritos policiais, 111 termos circunstanciados e 340 pessoas conduzidas. Três situações de flagrante ainda estavam em análise.

Os números abrangem ocorrências abertas entre 5 de janeiro e 5 de outubro. A própria PF avisa que os dados passam por atualização e validação constantes.

Mais do que mostrar o volume das investigações, o levantamento permite identificar quais tipos de irregularidade chegaram com mais frequência à polícia e como esse retrato mudou nos dias próximos ao primeiro turno.

Falsidade, compra de votos e boca de urna aparecem no painel

O enquadramento mais frequente no levantamento está no artigo 350 do Código Eleitoral, com 404 registros. O dispositivo trata da falsidade ideológica eleitoral, que ocorre quando uma informação falsa é inserida ou uma declaração relevante é omitida de documento para fins eleitorais.

Urna é trocada após tecla ‘3’ ser danificada durante votação
Reprodução/Justiça Eleitoral
Urna é trocada após tecla ‘3’ ser danificada durante votação

Logo depois aparece o artigo 289, citado em 360 casos. Ele trata da inscrição fraudulenta de eleitor.

A corrupção eleitoral, prevista no artigo 299, soma 260 registros. Esse enquadramento alcança situações de oferta, promessa ou entrega de vantagem em troca de voto, além da solicitação ou recebimento desse benefício pelo eleitor.

Há outros tipos menos conhecidos no levantamento.

O artigo 326-B aparece em 80 registros e trata de condutas de violência política contra mulheres, como assédio, constrangimento, perseguição ou ameaça com a finalidade de dificultar uma candidatura ou o exercício de mandato.

Outros 71 casos estão enquadrados no artigo 354-A, relacionado à apropriação de bens, recursos ou valores destinados ao financiamento eleitoral. O artigo 325, que trata de difamação durante a propaganda eleitoral ou com finalidade de propaganda, aparece em 61 registros.

O painel mostra ainda ocorrências relacionadas às regras válidas especificamente no dia da votação.

Flagrantes mostram outra face das irregularidades

Quando são isolados apenas os casos iniciados em flagrante, a distribuição muda.

A corrupção eleitoral aparece no topo, com 52 registros. Em seguida vêm 47 ocorrências de boca de urna, prática proibida no dia do pleito.

Outros 31 casos estão ligados à divulgação de propaganda eleitoral no dia da votação. Há ainda 19 registros relacionados ao uso de alto-falantes ou amplificadores, realização de comícios e carreatas, também proibidos nessa data.

Esse recorte concentra quase todas as pessoas conduzidas registradas no sistema. Das 340 contabilizadas no levantamento geral, 333 aparecem nos procedimentos iniciados em flagrante.

A PF registrava ainda 66 inquéritos originados nessas situações, além dos 111 termos circunstanciados e de três flagrantes que permaneciam em análise no momento da consulta.

A Polícia Militar aparece como principal origem das comunicações desse grupo, com 82 registros. A Polícia Federal aparece com 39.

Rio de Janeiro lidera número de casos

Só depois de olhar para o tipo de ocorrência o mapa começa a mostrar onde as investigações se concentram.

Santinhos nas ruas perto do Colégio Estadual Guilherme Briggs, no bairro Santa Rosa, em Niterói (RJ)
Júlia Vidotti / iG
Santinhos nas ruas perto do Colégio Estadual Guilherme Briggs, no bairro Santa Rosa, em Niterói (RJ)

O Rio de Janeiro lidera o levantamento, com 156 casos iniciados. Maranhão aparece na sequência, com 136, seguido pelo Ceará, com 121.

São Paulo soma 98 registros. Paraná tem 80, Pernambuco, 62, e Mato Grosso, 61.

O ranking muda quando são considerados exclusivamente os flagrantes. Nesse recorte, Roraima aparece na primeira posição, com 21 casos, seguido por Minas Gerais, com 18, e Rio de Janeiro, com 14.

Maioria dos inquéritos foi aberta por portaria

Os flagrantes representam apenas uma parte das apurações.

Dos 1.347 inquéritos registrados no painel, 1.281 foram instaurados por portaria e 66 tiveram origem em flagrantes.

Nos procedimentos abertos por portaria, a Justiça Eleitoral aparece como a principal origem das comunicações, com 458 registros. O painel também apresenta diferentes entradas relacionadas ao Ministério Público e 117 comunicações atribuídas à própria Polícia Federal.

A série histórica mostra investigações sendo abertas durante todo o ano, mas com aumento nos registros perto do primeiro turno.

Em um dos últimos pontos apresentados no gráfico consolidado, o sistema chegou a marcar 157 casos iniciados em um único dia, o domingo do primeiro turno, tendo o maior volume visível no período exibido.

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