Valdemar Costa Neto é presidente nacional do PL, partido de Flávio Bolsonaro
Beto Barata/PL
Valdemar Costa Neto é presidente nacional do PL, partido de Flávio Bolsonaro

O ex-presidente Jair Bolsonaro  deverá participar de um eventual governo do filho, Flávio Bolsonaro (PL), caso o senador seja eleito presidente da República no segundo turno. A afirmação foi feita pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, nesta segunda-feira (5), em entrevista à GloboNews.

Segundo Valdemar, Bolsonaro não ocuparia um cargo formal na administração federal, como um ministério, mas teria participação na gestão e poderia apresentar suas opiniões ao filho.

“Bolsonaro vai participar muito dessa administração. Não tenho dúvida disso. Não vai ser ministro, mas vai dar opinião”, afirmou o presidente do PL.

Flávio Bolsonaro disputa o segundo turno da eleição presidencial contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A votação está marcada para 25 de outubro.

Bolsonaro está preso pela trama golpista

Jair Bolsonaro está preso após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e três meses de prisão pela trama golpista.

A condenação está relacionada à tentativa de golpe de Estado e aos atos que culminaram no 8 de Janeiro. A pena inclui crimes como tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

Por isso, embora Valdemar tenha afirmado que Bolsonaro não seria ministro de um eventual governo de Flávio, o presidente do PL não explicou como o ex-presidente poderia participar efetivamente da administração enquanto estiver preso.

A declaração também ocorre em meio à discussão sobre a possibilidade de um eventual governo de Flávio adotar medidas para beneficiar o pai. Entre os instrumentos previstos na Constituição estão o indulto e a comutação de penas, cuja utilização pode ser submetida a questionamentos judiciais.

No entanto, Valdemar não afirmou que Flávio concederia algum benefício ao pai nem detalhou como seria a participação de Bolsonaro em uma eventual gestão.

PL terá força ampliada no Senado

Valdemar também comentou o resultado das eleições para o Senado e destacou o crescimento da bancada do PL.

O partido elegeu 19 senadores em 2026 e passará a ter 28 das 81 cadeiras da Casa a partir de 2027.

Com a ampliação da bancada, o PL terá maior peso nas articulações e nas votações do Senado na próxima legislatura.

Entretanto, o presidente da legenda afirmou que o fortalecimento do partido não significa necessariamente uma ofensiva contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Valdemar fala sobre impeachment no STF

Questionado sobre a possibilidade de o novo Senado avançar com pedidos de impeachment contra ministros do STF, Valdemar adotou um discurso de cautela.

“Não interessa pôr fogo no país. O que nós precisamos agora é tocar o país para frente”, declarou.

O presidente do PL afirmou que caberá aos senadores decidir como se posicionar diante de eventuais pedidos de afastamento de integrantes da Corte.

“Essa discussão de impeachment vai depender do Senado. Cada senador pensa de um jeito, e os senadores têm muita força, têm muita independência”, afirmou.

Segundo Valdemar, eventuais processos contra ministros do Supremo devem ser conduzidos com responsabilidade.

“Eles têm que conduzir isso com sabedoria e inteligência, porque não adianta pôr fogo no país”, acrescentou.


Flávio Bolsonaro disputa o segundo turno com Lula

Flávio Bolsonaro e Lula se enfrentam no segundo turno da eleição presidencial em 25 de outubro .

O vencedor assumirá a Presidência da República em 1º de janeiro de 2027.

Caso Flávio seja eleito, a declaração de Valdemar indica que Jair Bolsonaro deverá continuar participando das discussões políticas do governo, embora sem ocupar formalmente um ministério.

Até o momento, não foi apresentado um cargo específico ou uma estrutura oficial para eventual participação do ex-presidente na administração do filho.

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