Presente da audiência do comitê econômico americano, Flávio Bolsonaro escreve na mão frase que denomina PT como partido do tarifaço
Reprodução/X @FlavioBolsonaro
Presente da audiência do comitê econômico americano, Flávio Bolsonaro escreve na mão frase que denomina PT como partido do tarifaço

O Brasil vai voltar às urnas em 25 de outubro para decidir quem comandará o país pelos próximos quatro anos: o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de esquerda e que tenta conquistar um quarto mandato, ou o senador Flávio Bolsonaro (PL), herdeiro do ex-presidente Jair Bolsonaro que busca uma revanche e levar a extrema direita de volta ao poder depois da derrota de 2022.

Com 98,67% das urnas apuradas, o desafiante Flávio Bolsonaro (PL) obteve neste domingo (04/10) de primeiro turno 47,26% dos votos, terminando à frente do presidente Lula, que conseguiu 44,89%.

Na terceira posição, muito atrás dos dois primeiros colocados, ficou Augusto Cury (Avante), com cerca de 2,9%. Somados, os demais candidatos não conseguiram nem 8% dos votos.

Campanha dominda por dois candidatos

Apesar de contar com 12 candidatos, a campanha à Presidência já caminhava desde o ano passado para um duelo entre Lula e Flávio Bolsonaro, com pesquisas indicando um segundo turno entre os dois.

Mesmo com a revelação de sucessivos escândalos políticos ao longo do último ano, que se acentuaram a partir de setembro, a corrida eleitoral foi marcada por uma persistente estabilidade nas pesquisas, com pouca diferença se abrindo entre Lula e Flávio por vários meses, apontando para mais uma eleição polarizada.

No entanto, os resultados deste domingo contrastaram em parte com pesquisas divulgadas na véspera, que embora indicassem segundo turno, colocavam Lula com uma leve vantagem.

Agora, ao terminar à frente, Flávio chega ao segundo turno como o mais cacifado a vencer em 25 de outubro, dado o histórico das eleições presidenciais brasileiras desde a redemocratização, que nunca registraram uma virada na segunda rodada.

Lula em declínio

Nas dez eleições presidenciais disputadas no período da redemocratização, Lula foi ou tentou se apresentar como candidato em oito delas. Com o presidente se aproximando dos 81 anos, essa pode ser a última disputa presidencial com seu nome nas urnas.

Preso e barrado do pleito de 2018, Lula protagonizou uma das reviravoltas políticas mais dramáticas da história ao derrotar em 2022 o então presidente Jair Bolsonaro e conquistar um terceiro mandato, na que foi a eleição mais apertada desde a redemocratização.

Em 2022, porém Lula havia chegado ao segundo turno com uma margem de 5,2 pontos sobre Jair Bolsonaro. Desta vez, o primeiro turno se mostrou mais difícil para o petista, que terminou em segundo lugar, ficando atrás de Flávio por pouco mais de dois pontos, mostrando que o lulismo pode estar finalmente mostrando sinais de enfraquecimento.

Ao longo da campanha de 2026, Lula se manteve no topo das pesquisas, mas sua popularidade permaneceu distante dos níveis observados em 2010, quando completou seu segundo mandato. Pesquisa Datafolha divulgada nesta semana antes do primeiro turno mostrou que 49% desaprovam e 48% aprovam o governo de Lula.

Sob Lula a partir de 2023, vários indicadores econômicos do Brasil mostraram sinais de melhora após declínio no final da gestão Jair Bolsonaro. O país registou números recordes de empregabilidade, com uma taxa de desemprego de 5,3%, assim como os menores níveis de pobreza e extrema pobreza da série histórica (desde 2012).

No entanto, apesar da melhora de vários índices, houve a persistência de um sentimento negativo entre muitos eleitores em relação ao custo de vida, de forma semelhante ao que ocorreu com o ex-presidente democrata Joe Biden nos EUA em 2024, cujo partido acabou sendo derrotado nas urnas no mesmo ano, e ainda por cima por um rival que havia sido superado na eleição anterior: Donald Trump.

Flávio Bolsonaro em busca de levar bolsonarismo de volta ao poder

Senador de 45 anos que substituiu seu pai declarado inelegível, Flávio inicialmente se lançou à Presidência no ano passado no que parecia uma mera manobra política de "troca de moeda" que ainda poderia abrir caminho para outro candidato de ultradireita.

Mas ele rapidamente foi bem-sucedido em herdar boa parte do capital político do pai, Jair Bolsonaro, e se cacifar como o principal desafiante da candidatura à reeleição de Lula. Na contagem de votos do primeiro turno, Flávio obteve mais de quatro pontos percentuais a mais em relação a Jair Bolsonaro em 2022, que chegou ao fim da primeira rodada daquela eleição com 43,2%.

Liderando uma campanha revanchista após a derrocada de Jair, que não se reelegeu e ainda acabou preso e condenado, Flávio prometeu "fazer justiça" pelo pai e anistiar os envolvidos no ataque golpista de 8 de janeiro de 2023.

Sem o poder da máquina pública que seu pai contou na última eleição, Flávio utilizou críticas ao custo de vida, preço dos alimentos, corrupção e situação da segurança pública como alguns temas de campanha.

Mas sua candidatura focou especialmente num discurso "anti": antilulopetista e anti-STF. Flávio tentou mesclar os escândalos envolvendo o Supremo ao presidente, argumentando que ministros da Corte atuam como "agentes políticos do Lula".

No entanto, o próprio Flávio se viu ao longo da campanha envolvido no escândalo do Banco Master, especialmente após a revelação que o senador pediu dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento do filme Dark Horse, sobre a vida do seu pai.

Outras situações de tensão ocorreram, como um desentendimento público com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, candidata ao Senado nestas eleições. As articulações da família Bolsonaro junto ao governo Trump também levaram em alguns momentos Flávio a ficar na defensiva.

Ainda assim, a sucessão de turbulências não foi suficiente para levar Flávio a perder força nem mesmo na reta final da campanha. Com o peso do sobrenome, Flávio ainda neutralizou rivais de direita que se apresentaram como alternativas na eleição.

"Terceira via" fracassa novamente

Candidatos que tentaram se apresentar como alternativas à polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro amargaram neste domingo uma votação pífia, após enfrentarem indiferença do eleitorado pela maior parte da campanha.

Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) – somaram apenas 11% dos votos. O mais bem-posicionado dos membros da "terceira via", Cury, teve apenas 2,9%.

Essa foi segunda eleição seguida em que um candidato descrito como "terceira via" não conseguiu nem mesmo superar a marca de dois dígitos.

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    Tags: Brasil
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