
O Tribunal de Justiça de Piquete, cidade do Vale do Paraíba, no interior de São Paulo, realiza uma audiência contra o coach Pablo Marçal, nesta quarta-feira (30). Ele é acusado de colocar 32 pessoas em risco após uma expedição ao Pico dos Marins.
Além do julgamento do processo, a sessão conta também com instrução e debates sobre o caso, que foi registrado em 2022 e terminou com o resgate do grupo. Eles buscavam chegar ao cume do Pico.
O coach se tornou réu após uma denúncia do Ministério Público de São Paulo. O MP aponta que a expedição de Marçal foi realizada em uma época crítica no Pico dos Marins, com condições climáticas adversas e com a ausência de guias para a orientação.
Como não houve manifestação da defesa de Marçal nos autos do processo, a juíza responsável acatou a denúncia contra o coach.
Sendo assim, a audiência acontece nesta quarta-feira, às 13h, na Vara Única de Piquete. Nesta fase, são ouvidas testemunhas e o réu é interrogado. Além disso, se for necessário, também são solicitadas diligências complementares.
De acordo com o TJ-SP, nesta sessão, estão previstas as oitivas de 25 testemunhas e o interrogatório de Pablo Marçal. Ainda não há expectativa de que seja proferida uma sentença nesta data.
Ainda de acordo com o TJ-SP, caso seja necessário, a audiência pode continuar em outro dia.
Após ser feito o interrogatório de Pablo e todas as testemunhas serem ouvidas, a acusação e defesa vão apresentar, por escrito, as alegações finais.
Na sequência, o processo vai ser encaminhado ao juiz, que vai avaliar os documentos antes de proferir a sentença. Pablo, os advogados e as testemunhas podem participar da audiência de forma virtual.
O iG procurou a defesa de Pablo Marçal, que, no momento, preferiu não se manifestar. O espaço segue aberto.

O caso
O caso foi registrado no início de 2022, nos dias 4 e 5 de janeiro. Em uma expedição ao Pico dos Marins, que fica em Piquete, cidade do Vale do Paraíba, no interior de São Paulo, o coach Pablo Marçal buscava chegar ao topo do local com um grupo de seguidores.
Pablo alegava que os participantes precisavam chegar ao cume para "vencer na vida". Mas a data não era apropriada para a expedição, por conta das condições do clima.
Por isso, parte do grupo desistiu da ideia. Mas outra parte do grupo, com 32 pessoas, seguiu em direção ao topo.
Este grupo enfrentou chuva, neblina, baixa visibilidade e rajadas de vento de até 100 km/h.
Toda a expedição foi registrada nas redes sociais. Pablo insistiu para que a caminhada continuasse e até fez orações pedindo para a chuva parar. Ele dizia acreditar que era possível chegar ao cume.
Mas, por volta das 4h, um dos participantes pediu socorro via rádio e o Corpo de Bombeiros iniciou as buscas.
Um grupo de 14 pessoas foi encontrado inicialmente. Segundo a acusação do Ministério Público, eles estavam sem guia e com roupas inadequadas. Os demais seguidores e Pablo foram localizados mais tarde.
Um guia contratado pela equipe de Pablo Marçal chegou a afirmar que alertou o coach sobre as condições da montanha. Ele disse também que recomendou o retorno.
Ainda segundo o depoimento, havia pedras escorregadias, lama e pouca visibilidade. Além disso, os participantes não tinham preparo físico e psicológico para continuar a subida.
Na época, Pablo Marçal chegou a ser criticado até pelo capitão do Corpo de Bombeiros.
