
Uma investigação da Polícia Civil da Paraíba aponta que integrantes da facção Nova Okaida usaram a compra e venda de cavalos de raça e uma agência de cantores de forró para lavar dinheiro obtido com tráfico de drogas e comércio ilegal de armas.
Segundo a polícia, o grupo movimentou cerca de R$ 150 milhões em dois anos. Treze suspeitos foram presos, e a Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 144 milhões nas contas dos investigados. Os detalhes foram revelados neste domingo (27) em reportagem do Fantástico, da TV Globo.
Um dos principais investigados é Ivan Moura, conhecido como Mauro Maromba. Ele é apontado pela polícia como integrante da estrutura financeira da Nova Okaida em Campina Grande (PB).
Outro investigado, Yago Cavalcanti, teria adquirido cavalos de raça e montado um haras no Rio Grande do Norte. A investigação aponta que alguns animais eram comprados e posteriormente revendidos por valores maiores, operação que, segundo os investigadores, permitiria dar aparência legal ao dinheiro.
Yago tinha 15 cavalos da raça Quarto de Milha, de acordo com a polícia. Quatro animais adquiridos em um haras ligado ao cantor Wesley Safadão custaram cerca de R$ 1 milhão.
Wesley Safadão não é investigado
Um dos leilões usados pelos investigados lvava a marca de Wesley Safadão. O cantor participou do evento e gravou uma mensagem de agradecimento aos compradores, procedimento descrito como habitual nesse tipo de negociação.
A Polícia Civil afirmou que Wesley Safadão não é investigado e que não encontrou indícios de participação do artista no esquema.
A assessoria do cantor informou ao Fantástico que os arremates eram feitos diretamente entre interessados e a empresa responsável pelo leilão e que não houve contato direto entre Wesley e os investigados.
Shows de forró entram na investigação
A polícia também identificou uma empresa voltada ao agenciamento de artistas. Segundo a investigação, a intenção era contratar cantores e oferecer apresentações a prefeituras do Nordeste.
Áudios obtidos pelos investigadores mostram Yago discutindo a importância de fechar apresentações contratadas por administrações municipais. Para a polícia, a estrutura serviria como outra forma de inserir recursos de origem criminosa na economia formal.
Um artista chegou a aparecer em um clipe ao lado do investigado. A defesa do cantor informou que ele buscava encerrar o contrato e desconhecia qualquer atividade ilegal atribuída a Yago.
Empresa movimentou R$ 144 milhões em quatro meses
A investigação também chegou a Miriam Ferreira, mulher de Ivan. Segundo a polícia, ela declarava renda mensal de R$ 1.412 como vendedora, mas uma empresa aberta em seu nome teria movimentado R$ 144 milhões em apenas quatro meses.
Ivan e Miriam foram presos. Segundo a reportagem do Fantástico, ele foi encontrado escondido dentro do compartimento de uma cama durante as buscas.
A defesa do casal informou que está adotando as medidas judiciais cabíveis e afirmou que os fatos serão esclarecidos.
Yago também foi preso. A reportagem informou que ele foi localizado quando tentava fugir por uma estrada na Paraíba. A defesa não foi encontrada para comentar as acusações.
Os investigados podem responder por organização criminosa, tráfico de drogas, comércio ilegal de armas e lavagem de dinheiro.