Marco Aurélio de Carvalho ao lado do presidente Lula (PT)
Ricardo Stuckert/PR/Divulgação
Marco Aurélio de Carvalho ao lado do presidente Lula (PT)

O coordenador da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)  em São Paulo, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, se posicionou contra a participação do petista no debate presidencial da TV Globo, previsto para a próxima quinta-feira (1º). Em entrevista ao UOL, Carvalho afirmou que não vê sentido em Lula debater com o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL)  no primeiro turno.

“Não vejo sentido em ele debater com miliciano no primeiro turno”, declarou o advogado à coluna da jornalista Letícia Casado, do UOL.

A manifestação ocorre depois que Flávio Bolsonaro confirmou, no domingo (27), que pretende participar do debate da emissora mesmo que Lula não compareça. O encontro está previsto para a reta final da campanha, antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.

Coordenador diz que Lula pode enfrentar Flávio no segundo turno

Na avaliação de Marco Aurélio de Carvalho, uma eventual participação de Lula em um debate com Flávio Bolsonaro faria mais sentido caso o senador avançasse para o segundo turno.

“Se a população escolher Flávio Bolsonaro para o segundo turno, Lula vai ter que se submeter a esse constrangimento. De um lado, temos um chefe de Estado respeitado ao redor do mundo, e de outro temos um miliciano pior que o pai [o ex-presidente Jair Bolsonaro]”, afirmou ao UOL.

O coordenador também defendeu que Lula já demonstrou sua capacidade política ao longo da trajetória pública. Segundo Carvalho, o presidente é o único candidato que apresentou um programa de governo sólido e já participou de sabatinas e entrevistas para veículos internacionais.

A declaração representa a posição do advogado sobre a estratégia eleitoral do presidente. Até o momento, a participação de Lula no debate da Globo não havia sido oficialmente confirmada nas informações citadas pelo UOL.

Carvalho relembra debate presidencial de 2022

Ao justificar sua posição, Carvalho também mencionou o debate presidencial de 2022, quando Lula participou de um encontro com outros candidatos, entre eles Padre Kelmon, que disputava a Presidência pelo PTB.

O advogado classificou aquele episódio como uma “cena constrangedora de debater com padre de quermesse”. Atualmente, Kelmon é candidato a deputado federal por São Paulo pelo PL, partido de Flávio Bolsonaro.

A declaração de Carvalho reforça a discussão sobre a estratégia da campanha petista para a reta final da disputa eleitoral e sobre a conveniência de Lula participar de confrontos com os adversários antes da votação.

Coordenador critica acusação de Flávio contra a CNBB

Marco Aurélio de Carvalho também criticou as declarações de Flávio Bolsonaro sobre a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O senador afirmou que integrantes da entidade teriam ajudado o PT a disseminar informações falsas envolvendo Nossa Senhora Aparecida e o título de Padroeira do Brasil.

A CNBB divulgou uma nota de esclarecimento no domingo (27), na qual negou ter produzido, autorizado ou participado da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao processo eleitoral. A entidade também afirmou que não integra estruturas político-partidárias e repudiou a atribuição de envolvimento em iniciativas de desinformação sem fatos que sustentem a acusação.

Na nota, a conferência declarou: “A mentira não se combate com outra mentira”.

Carvalho considerou grave a fala do candidato do PL e disse que ela revela, em sua avaliação, uma postura autoritária. O advogado também contestou a estratégia de Flávio de se apresentar como o “melhor dos Bolsonaro”, em referência à campanha que busca diferenciá-lo do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Foi muito grave essa fala e revela o quanto ele é autoritário. Ele realmente estava tentando trazer a ideia de que era ‘o melhor dos Bolsonaro’, como fala sua propaganda. Mas muito longe disso: ele consegue ser mais bandido do que o próprio pai”, declarou Carvalho ao UOL.


As afirmações sobre Flávio Bolsonaro foram feitas pelo coordenador da campanha de Lula em São Paulo. O episódio envolvendo a CNBB ampliou a troca de acusações entre os grupos políticos durante a reta final da campanha presidencial.

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