
A Justiça do Trabalho determinou, nesta quarta-feira (16), a desocupação imediata do Centro de Tratamento de Cartas e Encomendas (CTCE) de Indaiatuba, ocupado por trabalhadores dos Correios em greve. A mobilização bloqueou a entrada e a saída de cargas e afetou o fluxo de entregas para cidades da região.
A decisão, assinada pela juíza Alzeni Aparecida de Oliveira Furlan, também autoriza o uso de força policial para garantir a liberação da unidade.
Além disso, os manifestantes deverão manter distância de pelo menos 10 metros dos portões e não poderão impedir ou dificultar a circulação de pessoas e veículos nos prédios e pátios do centro.
Multa pode chegar a R$ 20 mil por dia
Em caso de descumprimento, a Justiça estabeleceu multa diária de R$ 20 mil ao Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios Telégrafos e Similares de Campinas e região (Sintect-Cas) e à Federação Interestadual dos Empregados dos Correios e das Empresas de Comunicações (Fentect).
Na decisão, a magistrada apontou que o CTCE de Indaiatuba tem papel importante na triagem logística do interior de São Paulo. Segundo ela, a interrupção das atividades poderia provocar o acúmulo de mercadorias, incluindo produtos perecíveis, medicamentos e correspondências de interesse público.
O Sintect informou que ainda aguarda a notificação oficial sobre a decisão. Em nota, o sindicato criticou o recurso à Justiça e afirmou que os trabalhadores continuarão mobilizados.
Cargas foram remanejadas
Segundo os Correios, antes mesmo da decisão judicial, a empresa havia colocado em prática um plano de continuidade das operações. As cargas destinadas ao centro de Indaiatuba foram remanejadas para outras unidades, com o objetivo de manter o tratamento dos objetos durante o período de restrição de acesso.
A estatal informou ainda que as agências permanecem abertas e funcionando normalmente.
Para atendimento, os clientes podem utilizar os telefones 4003-8210 e 0800 881 8210, além dos canais digitais disponibilizados pelos Correios.
Por que os trabalhadores estão em greve?
A paralisação começou na noite de 10 de setembro e ocorre em meio às negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2028.
Entre as principais reclamações apresentadas pelo Sintect estão a proposta de reajuste salarial e mudanças no plano de saúde.
Segundo o sindicato, a direção dos Correios apresentou uma proposta com repasse de 0,20% do INPC, índice considerado insuficiente pela categoria. A entidade também questiona os custos do plano de saúde e afirma que milhares de funcionários teriam deixado o benefício por não conseguirem arcar com as mensalidades.
O Sintect ainda não informou um número exato de trabalhadores que aderiram à paralisação, mas estima que a adesão seja alta.
Dissídio será julgado na próxima semana
Os Correios ajuizaram, em 11 de setembro, um dissídio coletivo no Tribunal Superior do Trabalho (TST), após o encerramento da mediação sem acordo e a rejeição da proposta para o novo acordo trabalhista.
No dia seguinte, o TST determinou, em decisão liminar, que 80% do efetivo permaneça em atividade em cada unidade ou estabelecimento da empresa durante a greve.
O julgamento do dissídio está marcado para segunda-feira (21), às 13h30. Até lá, as partes ainda podem chegar a um acordo.
Os Correios afirmam respeitar o direito de greve, mas ressaltam que a paralisação ocorre em um momento de dificuldades econômico-financeiras para a estatal. A empresa diz que mantém como prioridades a redução de despesas, o aumento da eficiência, a modernização das operações e a geração de novas receitas.