
Uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Campinas mobilizou mais de 160 policiais militares e promotores de Justiça nesta terça-feira (15) para desarticular uma organização suspeita de envolvimento com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro no interior de São Paulo.
Ao todo, são cumpridos 26 mandados de busca e apreensão e cinco de prisão em Campinas e Itatiba. A investigação aponta que o grupo mantinha uma estrutura de vigilância permanente para acompanhar a movimentação das forças de segurança e teria movimentado mais de R$ 2 milhões.
Entre os alvos estão o vereador de Itatiba Carlos Eduardo de Oliveira Franco, conhecido como Du Guaca (MDB), um policial militar e três lojas de veículos, sendo duas em Itatiba e uma em Campinas (SP).
A operação, batizada de Nexus, é realizada pelo Gaeco em conjunto com a Polícia Militar. Também participam equipes dos 1º e 10º Batalhões de Ações Especiais de Polícia (Baep), da Corregedoria da PM, do helicóptero Águia e cães farejadores.
Vigilância contra policiais
Segundo o Ministério Público, a organização mantinha em Itatiba um sistema de monitoramento 24 horas para acompanhar a movimentação das forças de segurança.
A estrutura teria sido usada para alertar os integrantes quando policiais se aproximavam de locais ligados ao tráfico. Com as informações, os suspeitos poderiam esconder drogas, deixar pontos de venda ou interromper temporariamente a comercialização.
De acordo com o Gaeco, a organização era dividida em diferentes núcleos, responsáveis por funções como comando, vigilância, distribuição de entorpecentes, logística, lavagem de dinheiro e administração dos pontos de venda.
Vereador está entre os investigados
O vereador Carlos Eduardo de Oliveira Franco, o Du Guaca, está entre os alvos da investigação. Equipes policiais cumpriram mandados de busca na residência dele e na Câmara Municipal de Itatiba.
Conforme o Gaeco, o parlamentar é suspeito de integrar o núcleo responsável pelo monitoramento das forças de segurança.
O iG tenta contato com a defesa do vereador.
Carros de luxo entram na investigação
O principal investigado é um homem conhecido como “Tim”, apontado pelo Ministério Público como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo o Gaeco, ele possui antecedentes por tráfico de drogas e roubo.
A investigação aponta que “Tim” e a esposa fariam parte do núcleo de comando e também seriam responsáveis pela lavagem dos recursos obtidos pelo grupo.
Os dois são alvos de mandados de prisão e foram procurados em um condomínio de alto padrão de Itatiba.
Ainda conforme o Ministério Público, “Tim” teria comprado e negociado mais de 20 veículos de luxo durante o período investigado. Entre os automóveis estão modelos das marcas Lamborghini, Ferrari e Porsche.
PM e revendas também são investigados
A Corregedoria da Polícia Militar cumpre buscas contra um policial militar suspeito de manter ligação com “Tim”. Até o momento, o Gaeco não detalhou qual teria sido a participação do agente na organização.
Três revendas de veículos também aparecem entre os alvos. Duas ficam em Itatiba e uma está localizada em Campinas.
Segundo o Ministério Público, um dos proprietários teria realizado pagamentos relacionados ao principal investigado e atuaria como uma espécie de suporte financeiro para ele.
A apuração identificou movimentações superiores a R$ 2 milhões que, segundo o Gaeco, podem estar relacionadas ao esquema de lavagem de dinheiro.
Cinco pessoas são alvo de prisão
Os mandados de prisão são contra Maiara dos Santos Pedroso, João Vitor Giopapo de Oliveira, Reginaldo Pereira da Silva, Roseli de Souza Figueiredo e Geovane Aparecido da Silva.
Além das prisões determinadas pela Justiça, um homem identificado como Anderson Uchoa Rodrigues de Souza foi preso em flagrante durante a ação por suspeita de tráfico de drogas.
As investigações continuam para esclarecer a participação de cada um dos alvos e identificar outros possíveis envolvidos.
O iG tenta localizar a defesa dos investigados.