
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu nesta terça-feira (15) novas investigações sobre possíveis conexões entre o Banco Master e empresas ligadas à privatização dos serviços funerários e cemiteriais de São Paulo. Na ação, o magistrado solicita ainda ao presidente do STF, Edson Fachin, que sejam apuradas condutas e ligações do também ministro André Mendonça.
A decisão foi tomada no âmbito da ADPF 1.196, ação que discute a concessão dos serviços funerários, cemiteriais e de cremação na capital paulista.
Relação entre Banco Master e Cortel
Um dos pontos levantados por Dino envolve a relação entre o setor funerário e empresas ligadas ao Banco Master, instituição que era controlada por Daniel Vorcaro.
A decisão cita o fundo Brazilian Graveyard and Death Care Services (Care11), que possui participação de 20% na Cortel, concessionária responsável por cemitérios em São Paulo. Segundo o processo, Vorcaro teria realizado aportes superiores a R$ 154 milhões no fundo entre 2023 e 2024.
O ministro também mencionou o empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, preso durante as investigações do Banco Master, que integrou o conselho da Cortel.
No caso, documentos indicam que Zettel assinou cinco atas da concessionária entre 2022 e 2025 utilizando endereços de e-mail institucionais relacionados ao Banco Master e ao antigo Banco Máxima.
Encontro entre Mendonça e Vorcaro

Na mesma decisão, Dino aponta um encontro entre André Mendonça e Daniel Vorcaro no dia 14 de março de 2025, na sede do Instituto Iter, em São Paulo.
O ministro André Mendonça, é um dos fundadores do Intituto Iter, que também possui contratos com a prefeitura de São Paulo.
O encontro entre Mendonça e Vorcaro aconteceu um dia antes do ministro pedir vista no julgamento de uma medida cautelar relacionada aos serviços funerários privatizados de São Paulo. Na ocasião, Dino havia determinado medidas para limitar os preços cobrados pelas concessionárias e reforçar mecanismos de transparência, fiscalização e atendimento aos usuários.
Quando o julgamento foi retomado, em abril de 2025, Mendonça apresentou divergência e votou contra a confirmação da decisão de Dino.
Dino também aponta no despacho que Alexandre de Almeida Mendonça, irmão do ministro de André Mendonça, trabalha na área funeral e cemiterial da SP Regula, que é a empresa responsável pela regulação dos serviços públicos de São Paulo.
Apesar dos fatos, Dino fez ressalta na decisão que não é possível afirmar que o encontro tenha influenciado a atuação de Mendonça nas votações, mas que o caso deve ser apurado.
O iG procurou a defesa dos envolvidos, mas até o momento não obteve resposta. O espaço segue em aberto.