
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, negou qualquer monitoramento ilegal de André Mendonça , ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). A afirmação foi parte de manifestação enviada ao presidente da Corte, Edson Fachin, nesta sexta (11).
Conforme informações da CNN, o diretor da PF afirmou que as documentações questionadas eram parte de análises regulares do núcleo de inteligência da corporação e que o material chegou ao STF após pedido do ministro Alexandre de Moraes.A manifestação foi dada após Fachin dar 48 horas para Andrei prestar esclarecimentos antes da decisão sobre a permanência no comando da PF. Isso porque nesta quarta (09), o presidente do STF suspendeu decisão de Moraes que afastou Andrei do cargo.O diretor de inteligência policial, Leandro Alamada, também havia sido afastado. Na manifestação, Andrei afirma que os documentos da PF não têm relação com quaisquer medidas invasivas, clandestinas ou vigilância.Ainda, Andrei defende que relatórios de inteligência não são uma investigação criminal. Segundo a manifestação, esse tipo de documento não busca estabelecer autoria, materialidade de crimes, nem representam acusação contra ninguém.Por fim, destaca que normas da PF permitem análise de cenários de risco e formulação de hipóteses dentro de relatórios de inteligência.Inquérito das Fake News
A manifestação também afirma que as documentações foram enviadas ao STF estritamente mediante ordem judicial por causa do inquérito das Fake News, de forma que o encaminhamento não foi feito espontaneamente.
A defesa conclui que não há motivos para medidas cautelares serem adotadas contra Andrei, que apenas cumpria com deveres da função e ordens da Justiça.
Sobre o pedido de afastamento, a manifestação aponta que o partido Novo não poderia ter servido como base para medidas como essa.
Isso porque, ainda que qualquer pessoa possa comunicar autoridades sobre possíveis infrações, medidas cautelares dependem de solicitação do Ministério Público, fato que não aconteceu.
Crise inédita
No início da semana, André Mendonça determinou a destituição do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, medida que foi revertida na sequência pelo colega Flávio Dino, do STF.
Anteriormente, Fachin solicitou a Mendonça o fim do sigilo de todo o caso Master, o que foi atendido apenas parcialmente pelo relator do processo no STF, mas deverá ser integralmente atendido nas próximas 24h.
Mendonça e Moraes protagonizam um embate sem precedentes dentro do STF em relação ao caso do Master, com acusações de um ao outro, por meio de autos, por envolvimento indevido com o banqueiro Vorcaro.
Na semana passada, Mendonça divulgou um relatório da PF que reúne inúmeras mensagens enviadas por Daniel Vorcaro a Moraes. Na conversa, Vorcaro pede ao ministro do STF informações sobre as investigações policiais contra ele e solicita orientação sobre se deveria sair do Brasil, poucos dias antes de ser detido.
Contudo, Mendonça admitiu que teve encontro com o banqueiro em março de 2025. Ainda, disse que também atendeu o advogado do empresário, preso por fraudes financeiras bilionárias.