Sede do Cismetro em Holambra (SP)
Reprodução Cismetro
Sede do Cismetro em Holambra (SP)

A Polícia Civil investiga o furto de até R$ 22 milhões das contas bancárias do Consórcio Intermunicipal de Saúde na Região Metropolitana de Campinas (Cismetro) . Dois computadores utilizados nas movimentações financeiras da entidade foram apreendidos e passarão por perícia.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), as transferências não foram autorizadas pelo Cismetro. O caso foi registrado como furto na Delegacia de Polícia de Holambra, que agora tenta esclarecer como os criminosos conseguiram acessar as contas e para onde o dinheiro foi enviado.

Os desvios aconteceram em 22 de julho, durante ataques cibernéticos simultâneos contra as contas do consórcio. Parte do dinheiro já foi recuperada, mas milhões de reais ainda são alvo de tentativas de ressarcimento.

R$ 19 milhões ou R$ 22 milhões?

O tamanho do prejuízo ainda apresenta uma divergência.

A superintendente do Cismetro, Ana Filomeno, informou que cerca de R$ 19 milhões foram desviados durante o ataque. No entanto, o boletim de ocorrência registrado no caso aponta um valor ainda maior: R$ 22.098.097,12.

De acordo com o consórcio, os valores foram transferidos para diferentes contas bancárias abertas em diversos estados brasileiros.

Até agora, mais de R$ 7,1 milhões foram recuperados. A instituição tenta reaver o restante do dinheiro junto à Caixa Econômica Federal.

Computadores podem ajudar a esclarecer crime

Os dois computadores apreendidos pela Polícia Civil são utilizados nas movimentações financeiras do Cismetro e devem ser analisados por peritos.

A investigação busca identificar se os equipamentos foram invadidos, comprometidos ou utilizados de alguma forma pelos responsáveis pelas transferências.

As diligências também tentam apontar quem teve acesso às operações e rastrear o caminho percorrido pelos valores após saírem das contas do consórcio.

Até o momento, nenhum responsável pelo crime foi identificado.

Banco foi acionado após descoberta das transferências

Assim que constatou as movimentações irregulares, o Cismetro acionou a Caixa Econômica Federal para contestar as operações e pedir o bloqueio das contas envolvidas.

A contestação foi formalizada no dia seguinte aos ataques, em 23 de julho. O consórcio também iniciou o processo para tentar obter o ressarcimento integral dos valores.

Dois boletins de ocorrência foram registrados nos dias 22 e 23 de julho, um deles de forma eletrônica e outro presencialmente.

Segundo a superintendente Ana Filomeno, a entidade segue em contato com o banco e com as autoridades policiais.

Quais cidades fazem parte do Cismetro?

O Cismetro reúne municípios de diferentes regiões do estado de São Paulo. São eles:

Americana, Amparo, Artur Nogueira, Atibaia, Boituva, Bofete, Bom Jesus dos Perdões, Cabreúva, Campo Limpo Paulista, Cosmópolis, Holambra, Hortolândia, Indaiatuba, Itatiba, Itu, Itupeva, Jaguariúna, Jarinu, Jundiaí, Louveira, Mairiporã, Morungaba, Nova Odessa, Paulínia, Piracaia, Pedreira, Pinhalzinho, Santa Bárbara d'Oeste, Salto de Pirapora, Santo Antônio de Posse, Valinhos, Várzea Paulista e Vinhedo.

Prefeituras que já se pronunciaram

Os municípios que integram o Cismetro foram informados oficialmente sobre o caso durante uma reunião realizada em 14 de agosto.

Na ocasião, representantes do consórcio apresentaram informações sobre as transferências e as medidas adotadas para recuperar o dinheiro.

Artur Nogueira foi uma das cidades que se manifestaram publicamente após tomar conhecimento do caso.

O prefeito Lucas Sia (PL) encaminhou um ofício ao Cismetro pedindo esclarecimentos sobre os ataques cibernéticos e o prejuízo financeiro.

A Prefeitura destacou, porém, que o documento não faz acusações contra integrantes do consórcio. Segundo a administração municipal, trata-se de um pedido institucional de informações diante da necessidade de esclarecer o ocorrido.

O iG tenta contato com as demais prefeituras para comentar o caso. O espaço segue aberto. 

Atendimento não será afetado, diz consórcio

Mesmo diante do prejuízo milionário, o Cismetro afirma que os serviços prestados aos municípios consorciados não serão prejudicados.

A entidade também garantiu que seus compromissos financeiros seguem preservados e que continuará trabalhando para recuperar integralmente os recursos.

O Cismetro tem sede em Holambra e reúne 33 cidades de diferentes regiões do estado. O consórcio atua no apoio à saúde pública dos municípios, com fornecimento de profissionais, equipamentos hospitalares e veículos, além de ações voltadas à redução de filas e ampliação dos atendimentos.

Investigação segue

Agora, a Polícia Civil concentra os esforços em reconstruir a dinâmica do ataque.

A perícia nos computadores apreendidos deve ajudar os investigadores a entender como as transferências foram realizadas, quais sistemas foram acessados e quem pode estar por trás do furto milionário.

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