Renan Santos (Missão)
Reprodução/redes sociais
Renan Santos (Missão)

A decisão do ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), contra Renan Santos (Missão) teve como ponto central o uso de perfis de redes sociais que não haviam sido informados à Justiça Eleitoral no momento do registro da candidatura. Para o ministro, a demora não representou apenas um erro formal: poderia ter permitido que parte da campanha alcançasse usuários por meio dos sistemas de recomendação das plataformas.

Renan apresentou o pedido de registro de candidatura em 7 de agosto.  Na ocasião, informou apenas parte de seus canais digitais. Em 19 de agosto, uma nova petição acrescentou 18 perfis à documentação, sendo 16 que não haviam aparecido no registro inicial.

O problema ganhou peso porque a campanha eleitoral já havia começado. Segundo a decisão, um dos perfis que não constavam inicialmente no registro tinha cerca de 2,4 milhões de seguidores e já publicava conteúdo de campanha.

Por que os perfis precisavam ser informados

A legislação eleitoral determina que candidatos apresentem à Justiça Eleitoral os endereços de sites, blogs, redes sociais, aplicativos de mensagens e outras plataformas que serão usados na campanha.

A regra também estabelece prazo para canais criados depois do registro. Os perfis preexistentes que não foram informados no pedido de candidatura não podem ser utilizados imediatamente após sua inclusão: é necessário aguardar o período determinado pela regulamentação eleitoral.

A exigência tem relação direta com o funcionamento das plataformas. Segundo Toffoli, a identificação dos canais oficiais permite que sejam aplicadas as regras específicas de propaganda eleitoral e de recomendação de conteúdo.

Foi justamente nesse ponto que o ministro enxergou um possível desequiilíbrio.

Onde Toffoli viu vantagem

A decisão considera que os perfis não comunicados poderiam continuar sendo tratados pelas plataformas como contas comuns. Com isso, poderiam aparecer em sistemas de recomendação e alcançar pessoas que ainda não seguiam Renan.

As contas oficialmente informadas à Justiça Eleitoral, por outro lado, ficam submetidas às regras específicas estabelecidas para os canais de campanha.

Toffoli
Arquivo pessoal
Toffoli

Toffoli afirmou que essa diferença poderia criar uma vantagem para Renan durante o período em que os perfis ainda não haviam sido apresentados ao TSE. O ministro classificou a situação como uma possível “omissão estratégica” e afirmou que a comunicação tardia poderia comprometer a igualdade entre as candidaturas.

Um dos perfis analisados pelo ministro tinha cerca de 2,4 milhões de seguidores. Toffoli também apontou que a conta já veiculava propaganda eleitoral e aparecia em recomendações relacionadas a outros candidatos.

O que Toffoli determinou

Diante da suspeita, Toffoli determinou a suspensão da propaganda eleitoral digital nos perfis considerados irregulares.

A decisão também suspendeu novos repasses do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) para a chapa e proibiu Renan de participar de debates em rádio, televisão, podcasts e outros meios de comunicação.

As plataformas receberam prazo de seis horas para suspender os perfis indicados e retirá-los dos sistemas de recomendação. Também deverão preservar dados relacionados às contas.

O ministro determinou ainda que sejam apresentados dados sobre postagens, impulsionamentos, anúncios e recomendações realizados desde 7 de agosto, incluindo alcance e valores envolvidos.

Por que isso pode afetar a candidatura

Além das restrições imediatas, a decisão colocou o próprio registro da candidatura sob pressão.

Toffoli deu 24 horas para que Renan e o partido apresentem informações sobre quando os perfis foram criados, quando começaram a ser utilizados na campanha e quais conteúdos foram publicados.

O descumprimento das determinações pode resultar em multa de R$ 50 mil por dia e até no indeferimento do registro da candidatura.

O caso ainda será analisado pela Justiça Eleitoral. A decisão de Toffoli é cautelar e não representa, por si só, uma condenação definitiva.

O que diz Renan Santos

Renan Santos contesta a decisão. O candidato afirmou que houve problemas no sistema utilizado para informar os perfis ao TSE e classificou a medida como um “absurdo”.

A defesa pretende recorrer e sustenta que a campanha informou os canais à Justiça Eleitoral. O candidato também questionou a decisão por ter sido tomada sem que, segundo ele, houvesse oportunidade prévia de apresentar sua versão.

O TSE ainda terá de analisar as explicações apresentadas pela campanha e os dados que serão fornecidos pelas plataformas.

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