Em junho deste ano, Paula Lopes foi presa preventivamente por crimes relacionados a maus-tratos de animais
Foto: Miguel Lopes/PCRS/Divulgação
Em junho deste ano, Paula Lopes foi presa preventivamente por crimes relacionados a maus-tratos de animais

A ex-secretária da Secretaria de Bem-estar Animal de Canoas (RS), Paula Lopes, foi solta pela Justiça do Rio Grande do Sul em nova medida que substitui prisão preventiva por uma série de medidas cautelares.

Paula Lopes é a principal investigada da Polícia Civil (PCRS) na Operação Carrasco, por conta de  um esquema de “eutanásia financeira” em que teria realizado eutanásias irregulares em animais para desviar os valores dos tratamentos. Ela foi indiciada por maus-tratos, estelionato e outros crimes.

Conforme a decisão tomada pelo Juízo da Vara Regional Ambiental da Comarca de Porto Alegre, o fato da investigada não ocupar mais cargo público justifica a revogação, já que não pode mais exercer influência política nem administrativa para novas infrações ou intervir no curso das investigações.

Além disso, a juíza também entende que, com o desmonte do Instituto Paula Lopes, clínica onde mantinha cães e gatos, não há mais nenhum animal em risco sob posse da suspeita. O local teve toda estrutura operacional e física desmobilizada, conforme relatório técnico.

Diante do desfazimento das estruturas de abrigo e do afastamento da ré de suas funções administrativas, os riscos que fundamentavam a custódia preventiva encontram-se mitigados TJRS, em nota



O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) também informou que o comportamento da ré é compatível com a liberação, e que ela reside na mesma cidade da comarca, em Porto Alegre .


Medidas cautelares proíbem ter animais mesmo pessoais

As seguintes medidas cautelares foram impostas à Paula Lopes:

  • proibição de exercer qualquer atividade de recolhimento, transporte, guarda, abrigo ou tratamento de animais domésticos ou domesticados, seja em âmbito público, privado ou por meio de associações e organizações não governamentais;
  • proibição de manter contato, por qualquer meio de comunicação, com os demais réus, bem como com as testemunhas arroladas no processo;
  • proibição de frequentar as dependências da Secretaria Municipal do Bem-Estar Animal de Canoas, as sedes do Instituto Paula Lopes e qualquer abrigo de animais vinculado aos investigados;
  • proibição de ausentar-se da comarca de sua residência por período superior a oito dias sem prévia autorização judicial;
  • comparecimento mensal em juízo para informar e justificar suas atividades.

Além da ex-secretária, outras nove pessoas investigadas por eutanásia ilegal de cães e gatos e maus-tratos também tiveram a prisão preventiva revogada.

Relembre o caso

Na manhã do dia 15 de junho deste ano, Paula Lopes foi presa preventivamente por suspeita de realização de eutanásias irregulares tanto em um instituto que fundou, quanto durante a atuação no cargo de secretária da Prefeitura Municipal de Canoas, entre janeiro e julho de 2025. 

Segundo a apuração da polícia, animais eram encaminhados para eutanásia em situações em que ainda haviam alternativas de tratamento, para que os valores necessários para recuperação fossem desviados.

As investigações apontaram para um número desproporcional de eutanásias realizadas, sobretudo em comparação com anos anteriores: 498 animais mortos ao longo dos meses de administração na secretaria.

A polícia sustentou que, por meio do Instituto Paula Lopes, a investigada mantinha uma narrativa pública para levantamento de valores para supostos tratamentos e cuidados que não correspondiam ao destino dado aos animais debilitados (eutanasiados), configurando uma prática de estelionato.

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