
A Justiça de Santa Catarina condenou o Município de Balneário Piçarras (SC) por falha na prestação do atendimento adequado a um adolescente com torção testicular. O jovem acabou perdendo um dos testículos pelo diagnóstico tardio, que não impediu a evolução do quadro para necrose do órgão.
De acordo com a 3ª Vara da Fazenda Pública do Juizado Especial Regional da Fazenda Pública de Joinville, houve correlação entre a conduta da rede municipal de saúde e o dano sofrido pelo paciente. A determinação condenou o município a pagar R$ 35 mil por danos morais e R$ 20 mil por danos estéticos.O caso tramita em segredo de justiça e o nome do jovem não foi divulgado. De acordo com o desembargador relator do caso, a perda irreversível de um dos testículos durante a adolescência vai além do sofrimento físico e provoca danos psicológicos.Um laudo pericial foi realizado para analisar a falha ou não do serviço de atendimento e concluiu que houve negligência da unidade de saúde. Isso porque nem o exame físico adequado nem uma ultrassonografia de urgência foram realizadas.Para o perito, a investigação inicial inadequada e o atraso na avaliação especializada contribuíram diretamente para a necrose do testículo e para a necessidade de sua retirada Nota do Tribunal de Justiça de Santa Catarina
O documento apontou que os sintomas eram compatíveis com torção testicular e que o médico deveria ter dado prioridade a esta hipótese, de modo que o atraso no diagnóstico correto foi central para a perda do órgão.
Entenda como o quadro piorou
De acordo com a nota da Justiça catarinense, o adolescente procurou atendimento na rede pública municipal com fortes dores testiculares, náuseas e vômitos.
O diagnóstico, porém, sugeriu que fosse hérnia, e o medicou para aliviar os sintomas, com a orientação de retorno para a unidade básica de saúde posteriormente.
Na volta, a situação já estava inviável, e o paciente foi encaminhado para realização de uma cirurgia para remoção do órgão, que necrosou com a ausência de irrigação sanguínea causada pela torção.
O município alegou ausência de falha médica e sustentou que o diagnóstico era complexo, o que também não seria causa da perda do órgão, que teria sido resultado natural da evolução do quadro clínico.
A Justiça afastou a tese apresentada e, conforme resultados da perícia, condenou o município.