
Os imigrantes que chegaram a Ceuta, na Espanha, desde quinta-feira (30) são, em sua maioria, homens jovens marroquinos. Entre eles também há mulheres, crianças e pessoas de países da África Subsaariana. Muitos entraram a nado; outros passaram por terra, após grupos romperem pontos de controle na fronteira entre o Marrocos e o território espanhol. Alguns usaram boias e câmaras de pneus.
O Ministério do Interior da Espanha estima que cerca de 49 mil pessoas cruzaram para Ceuta em 24 horas. Até a tarde desta sexta-feira (31), mais de 25 mil já tinham retornado voluntariamente ao Marrocos. O restante aguardava identificação ou tentava entender se poderia permanecer na cidade. A entrada em massa sobrecarregou os centros de acolhimento.
Ceuta fica no Norte da África, mas pertence à Espanha. Ao lado de Melilla, é uma das duas fronteiras terrestres entre a União Europeia e o continente africano. Para quem tenta chegar à Europa, atravessar poucos quilômetros por terra ou pelo mar representa a entrada em território espanhol.
Quem são e por que atravessaram
As autoridades espanholas ainda não divulgaram um perfil completo dos recém-chegados. Imagens e relatos reunidos na fronteira mostram sobretudo rapazes e homens jovens. Muitos viajaram até Fnideq, cidade marroquina vizinha a Ceuta, depois que mensagens sobre uma suposta facilidade de entrada começaram a circular nas redes sociais.
O governo espanhol atribui a chegada em massa à ação de redes de tráfico de pessoas e à interpretação distorcida de uma decisão do Tribunal Supremo. Em 8 de julho, a Corte determinou que migrantes interceptados no mar não podem ser devolvidos imediatamente pelo mesmo procedimento aplicado a quem rompe as cercas terrestres.
A decisão não dá autorização automática para morar na Espanha. Ela exige que as autoridades abram o procedimento de devolução previsto na legislação, com identificação e análise individual. Segundo o governo, a sentença foi divulgada como se bastasse chegar a nado para permanecer no país.
A travessia também foi alimentada por razões econômicas. Marroquinos ouvidos na fronteira citaram falta de emprego e expectativa de encontrar trabalho na Europa. Parte dos que retornaram afirmou que chegou a Ceuta sem abrigo, comida ou possibilidade de seguir para a Espanha continental.
O que acontece agora
Espanha e Marrocos reforçaram o patrulhamento e reduziram as novas entradas nesta sexta-feira. Milhares de pessoas começaram a voltar pela passagem terrestre do Tarajal após perceberem que não seriam regularizadas apenas por terem cruzado a fronteira.
Os adultos que entraram irregularmente podem ser devolvidos depois da identificação. Quem pedir asilo deverá ter o caso analisado pelas autoridades espanholas. A entrada sem autorização não garante permanência, mas também não elimina o direito de solicitar proteção.
A situação dos menores exige outro procedimento. Crianças e adolescentes desacompanhados devem ser encaminhados aos serviços de proteção. A devolução só pode ocorrer depois da análise individual de cada caso. O Tribunal Supremo considerou ilegal o retorno coletivo de menores realizado após a crise migratória de 2021.
As autoridades ainda tentam determinar quantas pessoas permanecem em Ceuta. O número final dependerá dos retornos voluntários, das devoluções, dos pedidos de asilo e da identificação dos menores. Não há prazo divulgado para a conclusão desse levantamento.