Igor Oliveira de Moraes Santos, de 24 anos
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Igor Oliveira de Moraes Santos, de 24 anos

Durante uma operação policial em Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, policiais militares foram acusados de atirar contra e matar um jovem morador rendido e desarmado. O julgamento do caso teve início nesta terça-feira (28), no Plenário 13 do Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste da capital; nesta quinta-feira (30) dois dos policiais envolvidos foram inocentados pelo Tribunal do Júri.

Os cabos absolvidos foram Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima, que respondiam pelo homicídio de Igor Oliveira de Moraes Santos, de 24 anos. O júri era integrado por sete pessoas, entre elas, cinco homens e duas mulheres.

Com o resultado da decisão do júri, o alvará de soltura já foi expedido e será encaminhado para o cumprimento no Presídio Militar Romão Gomes. Os advogados da família do jovem e a Promotoria informaram que já entraram com recurso para tentar reverter a sentença.

O caso e as câmeras corporais

No dia 10 de julho de 2025, Igor Oliveira de Moraes Santos de 24 anos foi morto por policiais militares. Naquele período, os policiais das Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam), vinculados ao 16º Batalhão da Polícia Militar (BPM), afirmaram que realizavam patrulhamento no cruzamento das ruas Rudolf Lotze e Pasquale Gualupi, em Paraisópolis, com objetivo de combater o tráfico de drogas na região.

Na abordagem de Igor, as gravações das câmeras corporais dos policiais mostraram o jovem desarmado e rendido. Ele recebe ordens para deitar no chão, e assim faz; depois, recebe ordens para se levantar com uma das mãos erguida, quando o faz, o cabo Renato Torquatto da Cruz realiza o primeiro disparo. Em seguida, o cabo Robson Noguchi de Lima também atira.


Além de Igor, outros três suspeitos estavam no local, um do lado de fora do quarto, eles também obedeciam às ordens da polícia e respondiam às perguntas feitas. Um dos oficiais chegou a perguntar a Igor se ele estava armado e se tinha antecedentes criminais, ele respondeu que não. As imagens também não registraram armas com nenhum dos outros suspeitos.

Após os disparos, os policiais conversam entre si, afirmando que o jovem estava sim armado, mas nas imagens gravadas não há registro de nenhuma apreensão.

Segundo os policiais, três suspeitos armados foram vistos fugindo após localizarem os veículos da polícia e se esconderam em uma casa. As gravações mostram o momento em que os PMs arrombaram a porta do quarto onde Igor e outros dois suspeitos estavam, quando entram no quarto, todos os jovens se rendem com as mãos levantadas.

A decisão do DHPP

Durante as investigações, o Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) afirmou que as imagens das câmeras corporais evidenciam que Igor foi vítima de execução, uma vez que os jovens estavam rendidos e não havia evidência nenhuma de estarem portando alguma arma de fogo. Nas filmagens é possível ver Igor levantar com as duas mãos e atrás da cabeça.

De acordo com a investigação, os agentes não sabiam que os equipamentos estavam funcionando e que gravaram a ocorrência inteira.

O processo

Em 22 de julho do mesmo ano em que Igor foi morto, o Ministério Público apresentou denúncia ao Tribunal de Justiça contra os quatro policiais que participaram da operação. A denúncia foi acatada pela juíza Luciana Menezes Scorza, da 4ª Vara do Júri. Após uma semana, no dia 29 de julho de 2025, a justiça transformou os quatro em réus.

Hugo Leal de Oliveira Reis e Victor Henrique de Jesus, os outros dois réus do caso, ainda aguardam julgamento; o processo de ambos não tem uma data definida ainda para ser julgado.

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