
Os motoristas que trafegam pela descida da Serra de Petrópolis , na BR-040, no estado do Rio de Janeiro, já encontram obras de recuperação do pavimento em andamento. As intervenções fazem parte do primeiro ano da concessão da Elovias e têm como objetivo aumentar a segurança, melhorar o conforto na direção e ampliar a durabilidade da pista em um dos trechos mais movimentados da rodovia.
Os trabalhos incluem a reconstrução das placas de concreto mais danificadas e a execução de microfresagem para corrigir irregularidades do pavimento. Segundo a concessionária, a previsão é que a primeira etapa das obras seja concluída em novembro de 2026.
As equipes atuam de segunda-feira a sábado, em pontos previamente definidos, com planejamento para reduzir os impactos no tráfego. De acordo com a Elovias, as frentes de serviço são distribuídas ao longo da rodovia para preservar a circulação dos veículos e permitir ultrapassagens onde houver segurança.
Atualmente, duas equipes trabalham simultaneamente na descida da serra. Uma realiza a substituição das placas de concreto que apresentam desgaste acentuado ou trincas profundas, enquanto a outra executa a microfresagem para nivelar a pista.
Como funciona a recuperação do pavimento
Na reconstrução das placas, o concreto antigo é totalmente retirado até a camada de base da rodovia. Depois, essa estrutura é regularizada e reforçada, quando necessário, antes da instalação de uma nova placa de concreto projetada para suportar o tráfego intenso de veículos, principalmente caminhões.
Ainda segundo a concessionária, a nova estrutura utiliza barras de aço e concreto dimensionados para as condições atuais da BR-040, o que reduz o risco de deformações, aumenta a resistência do pavimento e prolonga sua vida útil.
Outra técnica empregada é a microfresagem, utilizada para corrigir pequenas ondulações e desníveis da pista sem a necessidade de substituir toda a estrutura.
Antes do serviço, um veículo equipado com sensores realiza um escaneamento a laser da rodovia, criando um mapa digital de alta precisão que identifica imperfeições milimétricas no pavimento.
Com essas informações, uma máquina equipada com discos diamantados remove apenas uma fina camada superficial do concreto, nivelando a pista. A Elovias explica que, o procedimento reduz trepidações, melhora o conforto dos motoristas e aumenta a aderência dos pneus, principalmente em dias de chuva.
Interdições permanecem mesmo sem obras aos domingos
A concessionária informou que reforçou a sinalização nos trechos em obras e esclareceu que as interdições podem permanecer mesmo aos domingos e feriados, quando não há equipes trabalhando.
Isso ocorre porque parte da pista pode estar com o concreto removido, em fase de concretagem ou no período de cura do novo pavimento. Nesses casos, a liberação antecipada da faixa poderia comprometer a qualidade da obra e colocar os motoristas em risco.
Segundo a Gerência de Engenharia da Elovias, os transtornos provocados pelas interdições parciais são temporários e fazem parte de um conjunto de melhorias voltadas a aumentar a segurança e a qualidade da viagem na Serra de Petrópolis.
Problemas com a concessão da Serra de Petrópolis
A Elovias assumiu, em novembro de 2025, a administração de 218,9 quilômetros da BR-040/495, entre Juiz de Fora (MG) e o Rio de Janeiro, após vencer a concessão federal. A empresa integra o Consórcio Nova Estrada Real e prevê investimentos para modernizar a rodovia, com foco em segurança, fluidez do tráfego e melhorias na infraestrutura.
A nova concessão também herdou um dos principais desafios da BR-040 com o impasse envolvendo a Nova Subida da Serra (NSS), em Petrópolis. O projeto, que prevê a construção de uma nova pista e de túneis para ampliar a capacidade da rodovia na serra, está com as obras paralisadas desde 2016.
O empreendimento é alvo de investigações do Tribunal de Contas da União (TCU), que apontou irregularidades consideradas graves durante sua execução. Além da paralisação das obras, o projeto é marcado por uma disputa financeira entre a antiga concessionária, a Concer, e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Enquanto a ANTT afirma ter cerca de R$ 472,5 milhões a receber da concessionária, a Concer sustenta que possui um crédito de aproximadamente R$ 1,3 bilhão, alegando desequilíbrios econômico-financeiros do contrato que não teriam sido compensados pela União.
O impasse permanece sem solução definitiva e é apontado como um dos fatores que atrasaram a conclusão da Nova Subida da Serra, considerada uma das principais obras de infraestrutura rodoviária do estado do Rio de Janeiro.