O presidente da República afirmou nova postura do governo federal brasileiro
Reprodução/Canal Gov
O presidente da República afirmou nova postura do governo federal brasileiro

O governo federal inicia nesta terça-feira (21) uma rodada de reuniões com representantes dos setores afetados pela tarifa de 25% anunciada na semana passada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. 

A série de encontros busca mapear os prejuízos de cada segmento exportador e definir um pacote de medidas de apoio para conter os impactos econômicos no país.

Articulação do governo

A coordenação dos encontros ficará a cargo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), com presença confirmada do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro da Fazenda, Dario Durigan. Como resposta imediata, o Plano Brasil Soberano criado no ano passado para  reduzir impactos do comércio exterior será ampliado para socorrer as empresas atingidas.

Segundo a Fazenda, o governo já dispõe de instrumentos para proteger a produção e os empregos nacionais.

Com coordenação do ministro Márcio Elias Rosa, os setores afetados serão chamados ao diálogo e ampliaremos o Plano Brasil Soberano, que dá apoio a quem foi injustamente afetado pelo tarifaço declarou Dario Durigan







A equipe econômica avalia que, por ter caráter pontual, a medida não deve comprometer o ritmo geral da atividade econômica do país.Alcance e decisão dos EUA.

nova taxa de 25% foi confirmada pela Casa Branca após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

A tarifa começa a vigorar nesta quarta-feira (22) e deve atingir cerca de 18% das exportações brasileiras para o mercado americano, embora uma lista expressiva de produtos tenha ficado isenta da sobretaxa.

O Palácio do Planalto reagiu afirmando que a medida carece de justificativa econômica e foi motivada por fatores políticos. Em nota oficial, o governo brasileiro classificou a decisão como um "marco lastimável" na relação bilateral e sinalizou que poderá recorrer à Lei da Reciprocidade.

Impasse nas negociações

Segundo reportagem do G1, membros da diplomacia brasileira relataram que o diálogo com Washington sofreu uma guinada nos últimos meses. Embora as tratativas iniciadas no ano passado após o encontro entre os presidentes Lula e Donald Trump na Malásia tenham avançado no início, os negociadores da Casa Branca passaram a demonstrar inflexibilidade a partir de maio.

Entre as exigências consideradas inegociáveis pelo Brasil estavam alterações no sistema PIX e na legislação nacional sobre minerais críticos.

Segundo fontes do governo, dados técnicos sobre a redução do desmatamento foram ignorados pela equipe americana. Cerca de dez dias antes da oficialização da tarifa, governo brasileiro apresentou contrapropostas para os seis pontos levantados pelo USTR, mas não obteve retorno.

A ordem do presidente Lula foi manter os diplomatas na mesa de negociação até o último momento para evitar contaminações ideológicas no processo.

Relação comercial em risco

A medida atinge um dos principais parceiros comerciais do país. Atualmente, os Estados Unidos ocupam o segundo lugar na pauta de exportações brasileiras.

A reportagem apontou ainda que, dados do Ministério do Desenvolvimento mostram que, dos dez produtos americanos mais vendidos para o Brasil, oito entram no mercado nacional totalmente isentos de impostos, enquanto os demais pagam uma tarifa média de apenas 3%.

Diante desse cenário, a avaliação da cúpula do governo é de que o novo tarifaço sobre as vendas brasileiras é economicamente injustificado .

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