O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), deputado Rodrigo Bacellar (União Brasil), foi preso novamente pela Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (27).
O deputado foi preso após a PF cumprir mandados de busca e apreensão, que foram emitidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por determinação do ministro Alexandre de Moraes. Ele estava em casa, em Teresópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro.
A prisão de Rodrigo Bacellar é em decorrência de duas operações, a ADPF das Favelas (ação para restringir operações policiais em favelas do Rio de Janeiro e reduzir a letalidade policial) e a Operação Unha e Carne, em que Bacellar é investigado por vazamento de informações sigilosas e já foi preso em dezembro de 2025.
Ele chegou a ser solto, com determinação do uso de tornozeleira eletrônica e recolhimento domiciliar.
Segundo a PF, ele teria vazado informações sigilosas sobre a investigação que envolve o deputado estadual TH Joias.
Além disso, a ocorrência de hoje é também relacionada a obrigações determinadas pela sentença para a Polícia Federal em relação à investigação de grupos criminosos .
Na terça-feira (24), o TSE cassou o mandato de Bacellar. Com a perda do cargo de deputado, Alexandre de Moraes entendeu que foram afastados os obstáculos que levaram à revogação da prisão anterior.
O ministro observou, ainda, que "além dos requisitos que motivaram a decretação da prisão e, posteriormente, a imposição das medidas cautelares, o ex-deputado foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) pelo crime de obstrução de investigação de infração penal que envolve organização criminosa armada, com a participação de funcionário público".
O ex-presidente da Alerj foi encaminhado à Superintendência da PF no Rio de Janeiro.
Em nota enviada ao iG, os advogados de defesa de Rodrigo Bacellar afirmam desconhecer os motivos da nova prisão e a classificaram como indevida e desnecessária, já que o deputado vinha cumprindo todas as medidas cautelares impostas, segundo eles. Veja a nota na íntegra:
A Defesa de Rodrigo Bacellar desconhece completamente os motivos dessa nova prisão decretada, mas ainda assim a classifica como indevida e desnecessária, já que nosso cliente vinha cumprindo fiel e completamente todas as medidas cautelares impostas. Portanto, irá contestar e recorrer para que seja revista e revogada o quanto antes."
Denúncia
No último dia 13 de março, a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Rodrigo Bacellar ao STF.
Ele foi denunciado junto com o ex-deputado estadual Thiego Santos , conhecido como TH Joias, pelo crime de obstrução de investigação.
De acordo com a acusação, eles teriam vazado informações sigilosas com o objetivo de atrapalhar a operação da Polícia Federal que investigava a infiltração do Comando Vermelho (CV) na administração pública no Rio de Janeiro.