Câmara dos Deputados
Cleia Viana/Câmara dos Deputados
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Duas semanas após o presidente licenciado do PP, senador Ciro Nogueira, ser nomemado como ministro-chefe da Casa Civil , o partido dele não conseguiu entregar votos para aprovar a proposta da emenda à constituição (PEC) que pretendia instituir o voto impresso , bandeira do presidente Jair Bolsonaro. O PL, outro partido que tem assento no Planalto com a ministra Flávia Arruda, da Secretária de Governo, também ficou dividido.

Os partidos dos dois ministros responsáveis pela articulação política do governo liberaram suas bancadas e contribuíram para a derrota do governo no plenário da Câmara. Foram 229 votos favoráveis – acima do esperado, mas aquém dos 308 necessários para aprovação do tema. Outros 218 parlamentares votaram contra a proposta.

O PP, do ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, entregou 16 votos a favor e 13 contrários, além de 11 deputados ausentes. Já o PL, da ministra Flávia Arruda, da Secretaria de Governo, somou apenas 11 votos favoráveis frente a 23 contrários, além de 7 ausências.

Somados os deputados contrários e os ausentes, as duas legendas do Centrão mais prestigiadas no governo Bolsonaro deixaram de entregar 54 votos pró-governo. No PP, o deputado André Fufuca (MA), que substituiu Nogueira na presidência do partido, se ausentou da votação. Já o líder do PL na Câmara, deputado Wellington Roberto (PB), votou não. As legendas alegam que as bancadas foram liberadas por falta de acordo interno.

O resultado do PP e PL chamam atenção se comparados com outras legendas que orientaram a votação contrária à mudança do sistema das urnas eletrônicas. É o caso do PSD, que indicou a rejeição à proposta, mas teve 20 votos favoráveis e 11 contrários, além de 4 ausências.

No Planalto, a justificativa é que, diante da dificuldade de virar o jogo, a articulação evitou o desgaste para se concentrar em pautas prioritária para o governo, como a PEC dos precatórios, que, se aprovada, pode abrir espaço para custear o novo programa social do governo, o Auxílio Brasil. O substituto do Bolsa Família é a principal aposta do governo para alavancar a reeleição de Bolsonaro.

Aliados de  Bolsonaro na Câmara tentam “fazer do limão, uma limonada”, interpretando a derrota como uma demonstração de força do presidente maior do que era considerado. Apesar da falta de empenho dos partidos dos ministros da articulação consideram que o resultado indicou que Bolsonaro tem votos na casa, pulverizados em diversas legendas. A Bancada Evangélica, por exemplo, que tem 108 deputados de 14 legendas entregou 83 votos a favor do voto impresso. Foram 12 votos contra e 13 ausências.

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Relator do texto e aliado de Bolsonaro, o deputado Filipe Barros (PSL-PR), que antes do início da votação, já admitia a derrota, disse ter se surpreendido com o resultado.

"Mostramos que somos maioria da Câmara e, acima de tudo, nós ganhamos as ruas. A população se manifestou massivamente em prol do voto impresso. Acredito que a aprovação dessa pauta é uma questão de tempo. Não foi agora, mas vai ser no futuro", disse o parlamentar nesta quarta-feira ao chegar ao Palácio do Planalto.

Um interlocutor do ministro Ciro Nogueira argumenta que o governo não esperava a vitória na Câmara, mas o resultado deu ao presidente o discurso para que siga questionando o sistema de votação eletrônica. Nesta quarta-feira, Bolsonaro, após derrota no plenário, voltou a criticar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a dizer que não acredita na “lisura das eleições.”

"Estou feliz com o Parlamento brasileiro. Não tivemos 308 votos, mas (foi) 229 a 218 (votos), se não me engano. 10, 11 (votos) de diferença, pouca coisa. Mas é uma demonstração que esse pessoal votou de forma consciente e deu um grande recado ao Brasil. Eles não acreditam na lisura das eleições", disse Bolsonaro, em conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada.

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) , disse na segunda-feira que Bolsonaro teria se comprometido a respeitar o resultado, mesmo que fosse derrotado. Após a derrota do voto impresso no plenário, Lira voltou a tentar pedir moderação, dizendo que o assunto do ponto de vista político está encerrado, mas apelou aos Poderes para que haja uma solução que amplie a auditagem das urnas durante as eleições.

"A PEC vai ao arquivo e esse assunto está encerrado aqui esse ano. Trabalhamos para dar ponto final nessa situação. O esticar das cordas passou de todos os limites. Temos de trazer para a normalidade. Não podemos chegar à eleição com a versão de que este ou aquele foi prejudicado", afirmou Lira em entrevista à GloboNews após a votação.

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