Sírios realizam protesto em Homs em meio à visita de observadores

Milhares de manifestantes se reuniram para protestar contra o governo; ativistas contabilizam mais mortos por repressão no país

iG São Paulo |

Milhares manifestantes participaram nesta terça-feira de uma manifestação contra o regime da Síria em Jalidiya, um dos bairros revoltosos da cidade de Homs, no mesmo momento em que os observadores da Liga Árabe estão na cidade , informou o grupo Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

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AFP
Imagem reproduzida de vídeo amador mostra tanque sírio em rua na cidade de Homs (26/12)

Segundo o grupo ativista, a manifestação foi organizada por militantes para denunciar os "crimes do regime de Bashar al-Assad" contra a população de maneira paralela à visita de uma delegação de monitores enviados pela Liga Árabe na cidade de Homs.

A OSDH estimou que 70 mil manifestantes tentaram tomar a praça do Relógio, mas as forças de segurança usaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersá-los. Cerca de 35 mil manifestantes protestaram no bairro de Jalidiya, informou o Comitê de Coordenação Local, outra rede ativista, enquanto o Observatório rebaixou esse número para 20 mil.

Muitos manifestantes seguem para o local do protesto vindas dos bairros de Hamra e Al-Qusur. De acordo com a AFP, outra manifestação importante foi organizada depois das orações do meio-dia no bairro rebelde de Bab Dreib, assim como em Jab al-Jandali.

Nesta terça-feira, segundo ativistas do OSDH, forças de segurança mataram duas pessoas em Douma, subúrbio de Damasco, duas na província sul de Daraa e uma na província de Idlib, além de duas na cidade de Qusair, próximo à fronteira com o Líbano. O Comitê de Coordenação Local afirma que 30 pessoas foram mortas, incluindo seis em Homs.

A agência oficial Sana informou nesta terça-feira que um "grupo terrorista" sabotou um gasoduto na província de Homs. "Um grupo terrorista armado realizou uma operação de sabotagem contra um gasoduto entre Kafar Abd e Rastan", informou a agência.

"Um vazamento de 150 mil m³ de gás ocorreu nesse gasoduto que abastece a central elétrica de Mharde", acrescentou. Esse mesmo gasoduto foi alvo de uma operação terrorista em 12 de dezembro.

Visita dos observadores

Nesta terça-feira, a cidade com a maior concentração de protestos antigoverno, Homs, recebeu a missão observadora da Liga Árabe para avaliar a situação no terreno.

A visita ocorre um dia depois de 50 observadores , liderados pelo general sudanês Mohammed Ahmed Mustafa al-Dabi, chegar ao país . Dirigiu-se a Homs uma delegação formada por entre 12 e 15 analistas. Antes da chegada dos observadores, tanques do Exército sírio se retiraram de Homs. Nas 24 horas antes da saída dos blindados, ao menos 23 pessoas foram mortas na cidade, segundo ativistas da oposição.

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Segundo vídeos amadores divulgados por ativistas, residentes do distrito de Baba Amr, um dos mais tensos de Homs, falaram com os observadores árabes. "Somos pessoas desarmadas que estamos morrendo", gritou um morador para um dos monitores. Segundos depois, tiros são ouvidos a uma certa distância enquanto outro grita: "Estamos sendo massacrados aqui."

Em outra conversa, um residente diz a um dos observadores: "Vocês deviam dizer o que disseram ao chefe da missão. Vocês disseram que não podem atravessar o outro lado da rua, por conta dos tiros."

De acordo com o canal de televisão privado Dunia, os observadores se reuniram com o governador de Homs, Ghasan Abdel Al. Sem revelar as datas, a emissora afirmou que, além de Homs, a missão da Liga Árabe também pretende visitar Hama (norte) e Idleb (noroeste).

Um oficial afirmou que a maioria dos observadores que estão em Homs voltarão para Damasco, enquanto somente três deles permanecerão na cidade que foi o epicentro da revolta.

Os observadores têm a missão de verificar se as autoridades sírias cumprem com os pontos da iniciativa proposta pela Liga Árabe para tentar pôr fim à crise. O plano prevê o fim da violência, a libertação dos detentos, a saída do Exército das cidades e a livre circulação no país para os observadores e a imprensa.

Desde o início dos protestos em meados de março, a repressão deixou mais de 5 mil mortos na Síria, segundo a ONU. O regime afirma que a violência é responsabilidade de "grupos armados" que tentam espalhar o caos no país, afirmando que os confrontos mataram 2 mil soldados.

Com Reuters, AFP e AP

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