Ação depende de relatório de inteligência, consulta com aliados e de justificativa sob a lei internacional, diz WPost

O presidente dos EUA, Barack Obama, considera um ataque militar contra a Síria de escopo e duração limitados, com o objetivo de punir o regime de Bashar al-Assad pelo uso de armas químicas e de intimidá-lo, ao mesmo tempo em que mantém os EUA fora de um envolvimento mais profundo na guerra civil do país, de acordo com autoridades citadas pelo jornal americano Washington Post.

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Reprodução de vídeo amador mostra suposto membro da ONU medindo e fotografando lata no subúrbio de Moadamiyeh, Damasco, Síria (26/8)
AP
Reprodução de vídeo amador mostra suposto membro da ONU medindo e fotografando lata no subúrbio de Moadamiyeh, Damasco, Síria (26/8)

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O momento de tal ataque - que duraria não mais de dois dias e envolveria mísseis de cruzeiro lançados do mar ou, possivelmente, bombardeiros de longo alcance contra alvos militares não diretamente relacionados ao arsenal de armas químicas da Síria - dependeria de três fatores: a finalização de um relatório de inteligência analisando a responsabilidade do governo sírio pelo suposto ataque químico do dia 21; as atuais consultas com os aliados e o Congresso; e a determinação de uma justificativa sob a lei internacional.

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“Estamos ativamente observando os vários ângulos legais que embasariam uma decisão", disse uma autoridade sob condição de anonimato. Navios de guerra americanos armados com mísseis já estão posicionados no Mediterrâneo .

Kerry:  Uso de armas químicas por Síria é 'inegável' e 'obscenidade moral'

Enquanto o governo se move rapidamente para um decisão, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, disse na segunda que o uso de armas químicas em um ataque contra redutos da oposição nos arredores de Damasco era agora " inegável ".

As provas compiladas pelos especialistas da ONU na Síria são importantes, disse Kerry, mas não necessárias para provar o que já "tem como base os fatos, endossados pela consciência e guiados pelo bom senso".

A equipe de investigadores da ONU visitou na segunda um dos três subúrbios rebeldes onde o ataque supostamente aconteceu, depois de primeiramente terem sido obrigados a recuar após seu comboio ter ficado sob fogo de franco-atiradores . O governo sírio, que juntamente com a Rússia sugeriu que os rebeldes eram responsáveis pelo ataque, concordou com a inspeção da ONU no fim de semana.

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Vídeos e declarações de testemunhas e de organizações de auxílio como os Médicos Sem Fronteira provaram que o ataque aconteceu, disse Kerry. Um relatório de inteligência sobre a questão deve ser divulgado nesta semana.

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Entre os fatores, disseram autoridades, tem-se a informação de que apenas Damasco possui armas químicas e os foguetes para lançá-las. Além disso, seu contínuo controle sobre os estoques químicos são monitorados de perto pela inteligência americana.

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De acordo com os Médicos Sem Fronteiras, 355 morreram por fogo de artilharia das forças do regime em 21 de agosto, ataque que incluiu o uso de gás tóxico. Ativistas e líderes da oposição disseram que entre 322 e 1,3 mil teriam morrido no suposto ataque químico.

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Acredita-se que as forças de segurança sírias tenham amplos estoques não declarados de gás mostrada e do agente neurológico sarin . A Síria é um dos sete países que não assinaram a convenção de 1997 banindo armas químicas.

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