Embaixador dos EUA na Líbia é morto em ataque em Benghazi

Ação que matou Christopher Stevens começou como um protesto contra filme produzido nos EUA que ridiculariza Maomé

iG São Paulo | - Atualizada às

O embaixador dos Estados Unidos na Líbia e outros três integrantes da missão diplomática americana no país foram mortos em um ataque ao Consulado dos EUA em Benghazi nesta terça-feira. De acordo com autoridades líbias, o atentado foi realizado por manifestantes que protestavam contra um filme produzido nos EUA que ridiculariza o profeta Maomé.

Leia também: Obama condena ataque que matou embaixador dos EUA na Líbia

AP
O embaixador dos EUA na Líbia, Chris Stevens, fala com a mídia local em Benghazi (11/04/2011)

Stevens e um grupo de funcionários foram ao consulado para tentar retirar os integrantes da equipe diplomática do local. Homens armados não-identificados invadiram o prédio atirando e jogando bombas, antes de atear fogo no prédio. Stevens teria morrido sufocado no incêndio.

Diplomata fluente em árabe e francês, Stevens já tinha passado duas temporadas na Líbia e chefiou o escritório em Benghazi durante a revolta popular contra o líder Muamar Kadafi , que foi morto no ano passado.

Ele foi confirmado no posto de embaixador da Líbia no início do ano. Em sua biografia no site do Departamento de Estado, ele disse que se considerava "afortunado por participar deste incrível período de mudança e esperança na Líbia."

Stevens é o sexto embaixador americano a ser morto exercendo sua função. O caso mais recente aconteceu em 1979, quando morreu o embaixador Adolph Dubs, no Afeganistão.

O ataque em Benghazi aconteceu enquanto centenas de manifestantes também protestavam contra os EUA no Egito . Na terça-feira, dezenas de homens invadiram a Embaixada dos EUA no Cairo, rasgaram a bandeira americana, que estava a meio mastro por causa do 11 de Setembro , e colocaram cartazes islâmicos no lugar.

Os dois países lutam para construir uma democracia após as revoltas que tiraram líderes autoritários que estavam há décadas no poder - Kadafi, na Líbia, e Hosni Mubarak , no Egito.

O obscuro filme que motivou os protestos foi produzido por um cineasta que vive na Califórnia e diz ter cidadania americana e israelense - informação que Israel não confirma. A produção está sendo amplamente promovido por um egípcio cristão copa que vive nos EUA. Ambos são acusados de ser antimuçulmanos.

O filme, intitulado "Innocence of Muslims" ("inocência de muçulmanos", em tradução livre), tem duas horas e retrata Maomé com uma fraude, mostrando-o fazendo sexo e ordenando massacres. A produção ganhou repercussão no Egito após um trailer dublado em árabe ser publicado no YouTube.

Nesta quarta-feira, o Afeganistão baniu o YouTube para evitar que os afegãos assistam ao filme.

Com AP

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