Embaixador brasileiro na Síria chega ao Líbano em meio a tensão

Por via terrestre, diplomata e funcionários da Embaixada do Brasil em Damasco deixaram a capital síria na manhã desta sexta-feira em meio à intensificação da violência

BBC Brasil | - Atualizada às

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O embaixador do Brasil na Síria, Edgard Casciano, e funcionários da Embaixada do Brasil em Damasco deixaram a capital síria na manhã desta sexta-feira rumo a Beirute, capital do Líbano, por via terrestre.

Embaixador brasileiro na Síria:  'É impossível sair à rua com tantos tiros'

AP
Fumaça sobe do bairro de Qaboun de Damasco, Síria (19/07)

A retirada dos diplomatas ocorreu em meio a uma intensificação dos confrontos entre rebeldes e tropas leais ao governo do presidente Bashar al-Assad. Por telefone, um diplomata contou que a estrada de Damasco até a fronteira estava razoavelmente segura nas primeiras horas da manhã. "Não vimos movimentação de militares nem rebeldes. Chegamos à fronteira em segurança", disse.

No momento que falava com a BBC Brasil, o diplomata, que pediu para não ter seu nome revelado, disse que o grupo já estava em território libanês. Segundo ele, o posto de fronteira da Síria com o Líbano que o comboio cruzou estava sob controle de forças do governo e repleto de sírios querendo deixar o país. "Vi muitos cidadãos estrangeiros, incluindo diplomatas de outras embaixadas saindo da Síria para Líbano", contou.

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Na quinta-feira, Casciano contou por telefone à BBC Brasil que a violência na capital síria havia se intensificado e  funcionários da Embaixada brasileira haviam sido orientados a não ir trabalhar na quinta-feira.

Ele disse que, desde quarta-feira, a capital passou a viver seus dias mais violentos desde o início da crise, há mais de um ano, com intensos tiroteios que deixaram as ruas completamente desertas.

"O perigo é real. É impossível pôr os pés na rua. É uma situação extremamente problemática", disse o embaixador. Ele contou que os tiroteios e explosões eram tão intensos na noite de quarta-feira que não conseguiu dormir. " Helicópteros sobrevoavam constantemente e dava para ouvir muitas explosões que, pela intensidade, eram consequência de armas pesadas".

'AK-47'

Há quatro anos em Damasco, Casciano disse que a situação na capital é muito tensa e não há garantias de segurança para as embaixadas estrangeiras no bairro. "Até cogitamos que o governo brasileiro enviasse agentes de segurança para proteger a embaixada. Mas, com o aeroporto fechado, a ideia foi deixada de lado."

O embaixador também falou que os combates respingaram em seu bairro na capital, com balas perdidas atingindo a vizinhança e até a sua casa. "Uns dias atrás, achei balas de rifles AK-47 em meu jardim. Ninguém está seguro na cidade", afirmou.

A ofensiva do Exército Livre da Síria (ELS) contra tropas leais ao governo em Damasco começou no domingo e entrou em seu sexto dia. Vários bairros nos subúrbios ao sul da capital foram tomados por rebeldes.

Na quarta-feira, um atentado matou o ministro de Defesa , seu vice e o cunhado do presidente Bashar al-Assad. O paradeiro do líder sírio ainda é desconhecido, já que ele não fez nenhuma aparição pública desde o atentado ao quartel-general das forças de segurança do país.

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O governo vem mobilizando mais tanques e tropas em direção à capital e, segundo analistas, isso antecede a uma grande batalha pela cidade. De acordo com a ONU, a repressão ao levante popular que exige a renúncia de Assad deixou mais de 16 mil mortos desde seu início, em março de 2011.

Brasileiros

Casciano disse ser difícil prever atualmente o número de brasileiros no país, pois vários deles já deixaram a Síria sem informar a representação em Damasco. "Quase todos têm também a nacionalidade síria e não expressavam o desejo de sair do país. Mas com o agravamento da situação, vários saíram da Síria sem avisar. Alguns foram para Beirute (capital do Líbano), outros voltaram ao Brasil", afirmou.

Segundo ele, a maioria dos brasileiros registrados é da região de Damasco, mas há uma comunidade na região de Latakia e Tartous, na costa da Síria, reduto de alauítas (grupo muçulmano xiita ao qual pertence Assad) e cristãos.

"Naquela região da costa, a situação é bem menos tensa, com poucos combates entre rebeldes e governo. Então não fomos contatados ainda por brasileiros."

Em contrapartida, o setor consular da embaixada vinha registrando um grande aumento no pedido de visto de turista por parte de cidadãos sírios. "Muitos têm parentes no Brasil e desejam sair do país momentaneamente." Segundo o embaixador, o atual clima seria de "guerra aberta" na Síria. "A guerra em Damasco os deixou extremamente apavorados", afirmou.

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