De acordo com ativistas, forças do regime de Assad assassinaram entre 150 e 220 na vila de Tremseh na quinta-feira

O mediador internacional da ONU e da Liga Árabe para a Síria, o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan, disse nesta sexta-feira que as forças sírias usaram armas pesadas contra o vilarejo de Tremseh , local de um massacre em área controlada por rebeldes da Província de Hama, no centro do país, em violação aos compromissados do plano de paz da ONU.

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Reprodução de vídeo mostra homem chorando sobre corpo de vítima de massacre na vila de Tremseh, na Província de Hama (12/07)
AP
Reprodução de vídeo mostra homem chorando sobre corpo de vítima de massacre na vila de Tremseh, na Província de Hama (12/07)

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De acordo com ativistas, entre 150 e mais de 200 teriam sido mortos na violência de quinta-feira, o que representaria o dia mais sangrento desde o início do levante contra o regime de Bashar al-Assad, em março de 2011. Em diferentes comunicados, o Observatório Sírio de Direitos Humanos e a Comissão Geral da Revolução Síria disseram que mais de 150 morreram, enquanto a rede de ativistas Comitês de Coordenação Local apontou 220 vítimas. É quase impossível verificar de forma independente as informações, porque o governo sírio restringe o trabalho dos jornalistas.

Em comunicado em que condena as "atrocidades", Annan demonstrou indignação com os "combates intensos, número significativo de mortes e o uso confirmado de armas pesadas como artilharia, tanques e helicópteros".

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Segundo Annan, a presença de militares em Tremseh "é uma violação da garantia do governo de que cessaria no uso de armas pesadas em centros urbanos e de seu compromisso com o plano de seis pontos" que o enviado articulou para a Síria.

Observadores da ONU na Síria estão prontos para ir a Tremseh para verificar os fatos in loco "se e quando as circunstâncias permitirem", mas precisam da garantia de liberdade de movimentação para fazer o seu trabalho, disse.

A oposição síria acusa o regime de Assad de ter cometido o massacre em Tremseh, mas o governo afirma que foram forças terroristas que o cometeram.

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O ativista opositor Abu Ghazi disse que o Exército cercou a vila na madrugada de quinta-feira com tanques e baterias antiaéreas antes de bombardeá-la, e disparou contra quem tentasse sair do local.

Após o bombardeio, as forças de ordem irromperam em Tremseh e enfrentaram rebeldes do Exército Livre Sírio (ELS), que conseguiram abrir algumas vias para permitir a população escapar do assédio e dos bombardeios, disse o ativista.

Com o apoio das forças de segurança, os " shabiha " - milicianos do regime - assassinaram civis com armas brancas, inclusive muitos médicos e pessoas que haviam ficado feridas nos bombardeios, afirmou Ghazi.

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Reprodução de vídeo mostra homem ferido durante massacre na vila de Tremseh, na Província de Hama (12/07)
AP
Reprodução de vídeo mostra homem ferido durante massacre na vila de Tremseh, na Província de Hama (12/07)

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Após o massacre, a oposição síria conclamou o Conselho de Segurança da ONU a adotar uma resolução vinculante contra o regime. Ao mesmo tempo, a Irmandade Muçulmana da Síria acusou Annan, assim como o Irã e a Rússia, dois aliados do regime de Assad, de serem os "responsáveis" pelo crime por sua falta de ação.

"Deter essa loucura assassina que ameaça a instituição da Síria, a paz e a segurança na região e no mundo, requer uma solução urgente e forte do Conselho de Segurança sob o capítulo 7 (da Carta da ONU) que proteja o povo sírio", afirmou o Conselho Nacional Sírio (CNS), a principal coalizão opositora.

O capítulo 7 da Carta das Nações Unidas prevê medidas coercitivas no caso de uma ameaça contra a paz, que podem ir de sanções econômicas até o uso da força militar.

*Com Reuters, EFE e AFP

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