Presidente sírio nega participação de tropas estatais em massacre em Houla

Em pronunciamento na TV, Assad disse que seu país está enfrentando um violento ataque regional e internacional

BBC Brasil |

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Em seu primeiro discurso televisionado desde o massacre de 108 sírios na cidade de Houla, no final de semana passado, o presidente da Síria, Bashar al-Assad, negou neste domingo que as forças de seu governo tenham tido participação na matança.

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Reuters
Sírio Zaher Al Hariri assiste ao pronunciamento do presidente Bashar al-Assad, neste domingo
Em pronunciamento ao recém-eleito Parlamento do país, Assad disse que seu país está enfrentando um violento ataque regional e internacional , mas agregou que a população rejeita a interferência externa em seu território.

"O que aconteceu em Houla e em outros lugares (da Síria) foram massacres brutais que nem monstros seriam capazes de perpetrar", afirmou o presidente.

As 108 pessoas mortas em Houla - em sua maioria mulheres e crianças - foram atacadas principalmente a facadas ou a tiros à queima-roupa, entre 25 e 26 de maio.

Investigadores da ONU dizem que a maioria das vítimas foram executadas, e testemunhas acusam milícias aliadas do governo pelos crimes.

Já o governo alega que "grupos armados" foram responsáveis pelas mortes em Houla, com o objetivo de forçar uma intervenção externa na Síria.

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Condenação externa
A tragédia despertou indignação entre a comunidade internacional e foi alvo de condenação por parte do Conselho de Segurança da ONU.

Em declaração adotada por unanimidade após uma reunião de emergência, no domingo passado, o Conselho disse que os ataques contra a cidade representam "um revoltante uso da força contra civis" e uma violação da lei internacional.

Ao mesmo tempo, diversos países expulsaram seus embaixadores sírios, em uma reação diplomática ao massacre.

A reação internacional não conseguiu, porém, evitar a continuidade da violência na Síria.
No último sábado, segundo o grupo baseado na Grã-Bretanha Observatório Sírio para os Direitos Humanos, 89 pessoas morreram em confrontos na Síria, incluindo 57 membros das forças armadas.

'Vontade do povo'
Em seu discurso neste domingo, Assad voltou a atribuir a violência na Síria a "terroristas" apoiados no exterior, que visariam "criar um projeto de dissenso" no país.

Para o presidente, a única forma de enfrentar as "ameaças de enfraquecimento e de quebra de soberania da Síria" é pelo diálogo político. Mas ele agregou que não pretende negociar com quem "não representa a vontade do povo sírio".

No último sábado, o enviado especial da ONU para a Síria, Kofi Annan, disse que o país caminha "a todo vapor" para uma guerra civil que tem o potencial de desestabilizar toda a região.

"O espectro de uma guerra, com uma alarmante dimensão sectária, cresce a cada dia", afirmou Annan, em uma reunião da Liga Árabe, copatrocinadora de um plano de paz para a Síria, o qual implementou um cessar-fogo no país, mas não conseguiu fazer com que ele fosse cumprido.

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