Suspeito de doar remédios vencidos, deputado Brazão é cassado no Rio

iG mostrou em 2010 como políticos usavam centros sociais com fins eleitorais. Parlamentar dava cadeiras de rodas e muletas e tinha lista de eleitores

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

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Cadeira de rodas apreendida na unidade ligada ao deputado Brazão foi fornecida pelo SUS
O deputado estadual do Rio Domingos Brazão (PMDB) foi cassado nesta quinta-feira (6) pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), por ter usado um centro social para distribuir remédios (com a validade vencida), muletas e cadeiras de rodas, com objetivo “eleitoreiro”, segundo o TRE-RJ.

O deputado também foi multado em 30 mil UFIRs (R$ 64.056). Apesar da decisão, ele pode ficar no cargo até o julgamento de recurso.

O iG mostrou em reportagens de agosto de 2010 que Brazão e outros deputados usavam seus centros sociais para conseguir votos em contrapartida dos benefícios do assistencialismo político.

A fiscalização do TRE identificou que Brazão doava cadeiras de rodas e de banho, muletas, cestas básicas e remédios vencidos no centro social Associação de Defesa da Cidadania Ação Social, na Taquara, sub-bairro de Jacarepaguá (zona oeste do Rio).

O centro social também oferecia serviços de dentista e exames de ultrassonografia. No local havia listas com nomes de e títulos de eleitores dos beneficiários.

Polêmico, Brazão foi suspeito de integrar a Máfia dos Combustíveis. Ele foi cassado em julho, por abuso do poder econômico, captação ilícita de voto e conduta vedada a agente público nas eleições de 2006.

O iG ligou esta quinta para o celular do deputado e deixou recado, mas não teve retorno. Na ocasião, Brazão afirmou que era apenas colaborador e não dono do centro social, que fica em seu reduto político.

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Remédios que seriam distribuídos no centro social de Brazão
De acordo com ele, os remédios com data de validade vencida estavam ensacados para serem jogados fora e não seriam distribuídos. Segundo ele, cestas básicas, fraldas e colchonetes seriam doados para vítimas das chuvas no Estado do Rio de abril de 2010.

Brazão tem prazo de três dias para recorrer, após a publicação da decisão.

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