Alianças para eleições de 2012 influenciam reforma ministerial

Prevista para a segunda quinzena de janeiro, troca de ministros vai levar em consideração formação de palanques nas capitais

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Ilude-se quem pensa que a presidenta Dilma Rousseff irá cortar uma dezena de pastas na reforma ministerial esperada para a segunda quinzena de janeiro. Ao contrário do que foi especulado até agora, não há nenhum estudo na Casa Civil sobre o assunto. As grandes mudanças ocorrerão, sobretudo, por conta dos ministros que deixarão a Esplanada para disputar as eleições de 2012. As trocas farão parte da negociações para formação de alianças e chapas governistas, principalmente, nas capitais.

“Se cortar ministérios, Dilma irá contra o modelo criado pelo presidente Lula”, avalia o ex-ministro e atual vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, Geddel Vieira Lima (PMDB-BA). A atual estrutura com 38 ministérios foi formada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao longo dos seus oito anos de mandato. “Todos perguntam, mas até agora ninguém sabe como será a reforma”, afirma o líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP).

Durante a crise no Ministério do Trabalho, aventou-se que Dilma estaria disposta a fundir a pasta com a Previdência, retomando uma configuração que havia acabado no governo Fernando Collor (1990-1992). “Nunca ouvi falar nisso. Só na imprensa mesmo”, afirma Garibaldi Alves (PMDB), atual ministro da Previdência. Segundo o iG apurou, Dilma está satisfeita com Garibaldi, sobretudo porque ele aceitou manter o secretário-executivo Carlos Gabas no cargo.

Como o iG noticiou na quarta-feira passada , o PDT ainda luta para manter o Trabalho sob o seu comando. O mais empenhado nessa tarefa é o deputado Paulo Pereira da Silva (SP). Ele é presidente da Força Sindical e presidente do diretório regional do PDT paulista. Paulinho enfrenta resistência da Central Única dos Trabalhadores (CUT). No entanto, ele também será procurado para a formação de palanques na capital paulista.

Haddad, PMDB e PSB

Até agora, o nome certo para deixar o governo é Fernando Haddad. Ministro da Educação desde 2005, ele já foi definido como candidato a prefeito de São Paulo pelo PT. Ele tenta fazer seu sucessor na pasta. Mas o ministério pode ser usado como moeda de troca para a formação da aliança de Haddad na disputa da capital paulista. No caso, oferecendo ao PMDB, cujo pré-candidato a prefeito é Gabriel Chalita. "Depois é só o Michel (Temer, vice-presidente) pedir para ele não concorrer", diz um líder peemedebista.

Atualmente, o PMDB é dono de cinco pastas, mas nunca ficou satisfeito com o seu tamanho. Em dois dos cinco ministérios peemedebistas houve mudanças. Mendes Ribeiro (PMDB-RS) entrou na Agricultura no lugar de Wagner Rossi (PMDB-SP), alvo de denúncias na pasta. E Gastão Vieira (PMDB-MA) ficou com a vaga de Pedro Novais (PMDB-MA) no Turismo, após levantadas irregularidades na pasta e no gabinete dele na Câmara.

No mesmo dia em que foi reconduzido ao cargo de líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), ouviu reclamações dos colegas de que partido está “subrepresentado” no governo. Nesse sentido, recompensar o partido com uma pasta como a Educação seria uma forma de acabar com os descontentamentos.

Ministro da Integração Nacional desde janeiro deste ano, Fernando Bezerra Coelho (PSB) também deseja concorrer em 2012. Em outubro passado, ele transferiu seu domicílio eleitoral para Recife, onde poderá ser candidato a prefeito. O caso de Bezerra, porém, depende do aval do seu padrinho político, o governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos. Em 2008, o PSB apoiou João da Costa (PT), atual prefeito de Recife.

Apoio político

Além das questões eleitorais, Dilma fará avaliação da gestão dos ministros. A presidenta nunca engoliu a indicação de Mário Negromonte (PP-BA) para a pasta das Cidades. Segundo o iG apurou, ele manteve uma relação cordial com Dilma, mas não apresentou nenhum projeto específico para a pasta. Outro problema enfrentado por Negromonte é a perda de apoio político dentro da bancada da Câmara, que quer indicar outro nome para as Cidades.

No Ministério dos Transportes, Paulo Sérgio Passos enfrenta situação similar. Ele chegou ao posto após a demissão de Alfredo Nascimento, senador pelo PR-AM, que pediu para deixar o cargo em meio a denúncias de corrupção na pasta e no Departamento de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit). Apesar de ser filiado ao PR, Passo não conta com o apoio do partido para permanecer no comando da pasta.

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