"Youssef foi o único que ficou feliz com a morte de Janene", diz ex-contadora

Por Wilson Lima e Vasconcelo Quadros - iG Brasília e iG São Paulo) |

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Em diálogo interceptado pela Polícia Federal, Meire Poza revela relações íntimas entre o doleiro Alberto Youssef e o ex-líder do PP e ex-réu do mensalão, morto em 2010

Diálogo interceptado pela Polícia Federal (PF) entre Meire Poza e mais dois advogados, em um shopping de São Paulo, descreve relações íntimas entre o doleiro Alberto Youssef e o ex-líder do PP e ex-réu do mensalão José Janene, que faleceu em 2010. Os diálogos sugerem que Janene era sócio de Youssef na GFD Investimentos, empresa de fachada utilizada para o pagamento de propinas da Petrobras ao doleiro e ao ex-diretor de refino e abastecimento da companhia Paulo Roberto Costa.

Durante depoimento prestado no início deste mês à Justiça do Paraná, Youssef confirmou que mantinha uma conta conjunta com o ex-réu do mensalão. O ex-parlamentar era o responsável pelo repasse de dinheiro a políticos já na época do escândalo que resultou na prisão de dirigentes do PT, como o ex-ministro chefe da Casa Civil José Dirceu. Youssef afirmou na ocasião que esse dinheiro vinha de empreiteiras. “Tudo o que o seu Janene precisava de recursos ele pedia a mim e eu disponibilizava”, disse Youssef no depoimento.

Segundo Meire Poza, a GFD Investimentos foi montada originalmente para “trazer todo o dinheiro do Janene de fora pro país, regularizar o patrimônio”. A GFD, conforme Meire Poza, foi criada após a primeira prisão e primeira delação premiada do doleiro, em 2003, durante o escândalo do Banestado (caso de envio de remessas ilegais de recursos do Banco do Paraná. Pelo esquema, cerca de U$$ 19 bilhões foram enviados ilegalmente para o exterior). “Ele fez a delação, só que ele continuou operando pelo Janene. Daí, eles montaram a GFD. A GFD era para trazer todo o dinheiro do Janene de fora pro país, regularizar o patrimônio”, disse Poza nesta conversa com dois advogados.

Durante a conversa, Poza sugere que Youssef foi um dos principais beneficiados com a morte de Janene, ao “herdar” o espólio da GFD Investimentos. “Puta herança. Caiu no colo dele. Eu acho que o Beto acendeu a vela ao contrário. Acendeu a vela para o Janene morrer”, disse Meire. “O Enivaldo (Enivaldo Quadrado, também ex-réu do mensalão e que mantinha contatos com Youssef) fala, né, que o Beto foi o único cara que saiu do velório rindo. Todo mundo chorando e o Beto dando risada”, disse Meire. “O Beto não é amigo de ninguém, Doutor. O Beto não á parceiro de ninguém”, acrescentou mais adiante a ex-contadora do doleiro.

Investigações da Polícia Federal apontam que após ter herdado o espólio da GFD Investimentos, Youssef “sofisticou” a utilização da empresa para a obtenção de propina de obras da Petrobras. Se antes, a empresa tinha como principal função supostamente legalizar a entrada de dinheiro no Brasil, com Youssef, ela passou, segundo os investigadores, a efetuar contratos fraudulentos com as nove empreiteiras que mantinham contratos com a Petrobras.

Material apreendido pela PF durante a Operação Lava Jato, por exemplo, aponta que entre agosto de 2011 e maio de 2012, a GFD Investimentos recebeu pagamentos das nove empreiteiras da ordem de R$ 5,5 milhões. A PF investiga se a empresa também foi utilizada para esse fins também antes da morte de Janene, já que as empresas citadas no cartel da Petrobras atuavam na empresa desde o ano de 2005.

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