Faltando uma semana para eleição, adversários pelo Planalto abandonaram tom beligerante dos confrontos anteriores na TV

Dilma Rousseff, presidente e candidata à reeleição pelo PT, e Aécio Neves, presidenciável do PSDB, participaram neste domingo (19) do penúltimo debate antes do segundo turno das eleições presidenciais. O tom foi bem menos beligerante do que nos dois confrontos anteriores, apresentados pelo SBT e pela Band. Em vez de ataques diretos, os dois fizeram uma guerra de números, citados numa frequencia capaz de confundir os eleitores que estavam à frente da televisão.  

Isso aconteceu, por exemplo, quando os dois discutiram o tema da segurança pública. O tucano citou números para dizer que os governos do PT não investem o suficiente na área, além de apontar a estatística de que morrem 24 jovens por dia no Brasil. "O seu governo criou um programa "Crack é possível vencer", mas gastou só 40% do que propôs", atacou o tucano. 

Ao falor do assunto, Dilma também disparou números, cintando as passagens de Aécio pelo governo de Minas Gerais. "Sinto muito, candidato, mas no mapa da violência consta que em Minas houve um aumento da criminalidade em 56%. O senhor fala muito dos fundos. Nós, candidatos, não gastamos R$ 4,3 bilhões, gastamos R$ 17,7 bilhões. Usamos para construir centros de controle, que foram o bastante para unificar as polícias."

Análise: 
Dilma reduz ataques, adota tom propositivo e apresenta propostas em debate
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Em debate, Aécio adota tom suave para atacar Dilma sem ser agressivo

Empreendedores e o Simples 

Feita por Dilma, a primeira pergunta do debate foi sobre pequenos e médios empreendedores. “Meu governo deu um forte apoio ao microempreededor individual e à microempresa que, juntos, correspondem a 40% dos negócios no País. Reduzimos impostos e formalizamos a situação”, disse a presidente. Em sua resposta, o tucano ressaltou que a legislação do imposto unificado Simples foi criada no governo do tucano Fernando Henrique Cardoso (FHC) na Presidência.

Dilma x Aécio: veja diferenças e semelhanças nas propostas dos dois candidatos

“Nossa posição é a mesma que tivemos quando o criamos, no governo FHC. O que nós queremos é continuar ampliando o acesso ao micro-empresário”, argumentou Aécio.

O debate entre eles se tornou mais combativo quando Aécio disse que o Brasil vive uma crise econômica, com aumento da inflação. “Eu a convido a debater o presente. Por que a indústria está demitindo 100 pessoas por dia em São Paulo? Por que a indústria está sucateada? Por que tivemos nos últimos seis meses os piores meses da década com relação à geração de emprego?”, questionou o tucano.

Debates anteriores: 
Aécio e Dilma sobem tom, se acusam e esquecem propostas no 1º debate do 2º turno
-   Em debate, Aécio ataca Petrobras e mensalão e Dilma cita Cláudio e nepotismo

Dilma respondeu citando a proposta da equipe econômica do tucano de ter uma meta de inflação de 3% ao mês, o que segundo ela levaria o nível de desemprego e a taxa de juros no País. "Eu tenho certeza que a inflação está sob controle e isto é inequívoco", afirmou a petista.

Petrobras volta ao debate

As denúncias de corrupção da Petrobras voltaram a ser tema de confronto entre os dois adversários pela Presidência quando Aécio trouxe o tema à tona.

"Agora a senhora finalmente reconhece que houve desvios na Petrobrás. João Vaccari Neto continuará como tesoureiro do PT e no Conselho da Usina de Itaipu?”, provocou o tucano. Como nos debates anteriores, Dilma voltou a dizer que o caso só está sendo investigado porque os governos petistas fortaleceram instituições como a Polícia Federal e o Ministério Público.

Dilma ainda acusou o governo FHC de engavetar denúncias de corrupção. “O senhor confia em todos aqueles que, segundo as mesmas fontes que acusam o Vaccari, dizem que o presidente do seu partido, que infelizmente está morto, recebeu propina? Na última vez que denunciaram pessoas do seu partido sobre o cartel do Metrô, o senhor disse não acreditar em delatores. Eu faço diferente. Eu preciso saber quem foi e quanto recebeu”, argumentou a petista.

Trabalho de câmera durante debate da Record (19/10)
Nacho Doce/Reuters
Trabalho de câmera durante debate da Record (19/10)


Ainda  no assunto, eles trocaram farpas sobre a posição da empresa no mercado internacional.  "Vou voltar a falar de Petrobrás, mas fique tranquila pois não é sobre corrupção, é sobre gestão. Quem investiu R$ 1 mil na Petrobrás, hoje tem R$ 600", ironizou Aécio. 

Dilma dovolveu o ataque no mesmo tom: "Vocês não tem a menor moral para falar de valor da Petrobras. Valia R$ 15 bilhões na época de vocês e hoje vale mais de R$ 100 bilhões. Vocês tentaram privatizar a Petrobrás, tentando mudar o nome dela para Petrobrax. O trabalhador brasileiro pode ficar tranquilo que a Petrobras vai dar muito lucro. Em menos de oito anos extraímos o que foi extraído em 30 anos."

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