Sem paulista na disputa, presidenciáveis cobiçam o maior eleitorado do Brasil

Por Vasconcelo Quadros - iG São Paulo | - Atualizada às

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Aécio Neves já visitou São Paulo 17 vezes, Eduardo Campos alugou um flat na capital e Dilma conta com o apoio de Lula

Sem um candidato com raízes em São Paulo, os três principais pré-candidatos a presidência da República – a presidente Dilma Rousseff (PT), o senador Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) – querem transformar o Estado no centro gravitacional por onde orbitarão os movimentos mais importantes das eleições deste ano.

Montagem
Principais pré-candidatos à presidência, Aécio Neves, Dilma Rousseff e Eduardo Campos preparam estratégias para conquistar São Paulo

E não é apenas a densidade eleitoral do Estado que, com seus cerca de 32 milhões de eleitores, representa mais de 22% dos votos do país: a capital paulista será o eixo principal também da disputa entre dois projetos. Um dos principais motes será a fadiga pelo tempo de governo dos dois principais oponentes, PT e PSDB, o primeiro há doze anos instalado no Palácio do Planalto, e o segundo, há duas décadas no comando do Estado mais rico da federação.

Leia também: Vice paulista para Aécio continua nos planos do PSDB

Mais: Campos vai a Aparecida, Aécio faz procissão e Dilma fica em Brasília na Páscoa

A campanha ainda nem começou e Aécio Neves já esteve 17 vezes em São Paulo desde que virou candidato. No final de maio, como sinal de prestígio ao colégio eleitoral mais denso do País, ele fará na capital a convenção em que se lançará oficialmente como candidato, provavelmente com um vice paulista.

Eduardo Campos, que tem os melhores índices no Nordeste e pouca penetração entre os paulistas, chegou a alugar um flat de três quartos em Moema, Zona Sul, próximo à sede de seu partido e do Aeroporto de Congonhas. Segue uma rigorosa pauta de seus marqueteiros para tornar-se conhecido entre os paulistas e apresentar-se como opção entre quem declarou que votará nulo ou ainda está indeciso.

A presidente Dilma manterá estrategicamente o escritório central em Brasília, mas contará com a estrutura mais sólida de seu partido no País e um cabo eleitoral de peso, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O PT vai concentrar seus esforços em São Paulo para garantir boa votação a Dilma e tentar desbancar o PSDB. É a partir de São Paulo que os dois maiores pretendentes ao poder central desencadearão as batalhas País a fora.

A tarefa de bater no longo tempo de permanência dos tucanos em São Paulo caberá ao ex-ministro petista Alexandre Padilha, pré-candidato ao governo, que fará marcação cerrada em Geraldo Alckmin (PSDB) usando a crise no abastecimento de água, os problemas de segurança e a falência da política penitenciária, com a consolidação da liderança do Primeiro Comando da Capital (PCC) nos presídios, para minar o projeto de continuidade tucana. Padilha encomendou um plano de segurança e deverá atacar as falhas do adversário começando por uma coincidência que deve usar com perversidade: os governos tucanos e a facção que domina o crime do interior das cadeias têm exatamente a mesma idade, 20 anos.

Vice-presidente do PSDB, Alberto Goldman diz que a recente crise envolvendo a Petrobras e a queda de popularidade da presidente, refletida pela falta de confiança nas ações do governo, são indicativos de que as bases estruturais do projeto petista estão comprometidas. Ele não acredita que os adversários vão usar a crise hídrica na campanha, mas admite que o tema é controverso.

“O desgaste político existe. É só abrir a torneira. Faltando água tem críticas. Mas qualquer pessoa que olhe os dados técnicos vai perceber que em 100 anos nunca a situação chegou a esse nível por falta de chuvas. Além disso, não se dimensiona uma política hídrica com base em depósitos para 100 anos”, afirma Goldman. Para ele, os dois projetos são diferentes: “A crise deles é maior. Eles têm um apodrecimento em toda a estrutura”, cutuca.

Os marqueteiros do PT acham, no entanto, que a possibilidade de agravamento da crise abre um flanco na propalada eficiência do projeto tucano. Ao empenhar-se num acordo com o governo do Rio para bombear água para São Paulo e anunciar a disposição de construir obras para usar o volume morto do Sistema Cantareira, o governador Geraldo Alckmin, segundo essa avaliação, teria deixado clara a constatação de que demorou a reagir.

“Não é culpa do governador. Ele tomou as medidas necessárias. Não acredito que a oposição usará isso na campanha”, diz o líder do PSDB na Assembleia paulista, Cauê Macris. Ele acha que qualquer cidadão medianamente informado saberá distinguir uma coisa da outra.

Os temas visando tornar São Paulo uma espécie de tambor nas disputas nacional e estadual já foram definidos: economia, mobilidade urbana, saúde, educação, Petrobrás, Simiens/Alstom, água, segurança e crise penitenciária.

Neste domingo, Padilha e Eduardo Campos se encontraram no Santuário de Aparecida, na tradicional missa de Páscoa. Apertado por jornalistas, Eduardo Campos acabou falando sobre aborto, tema espinhoso e recorrente nas campanhas eleitorais.

“Não conheço ninguém que seja a favor do aborto”, disse. “A legislação brasileira já é adequada. Ela prevê circunstâncias e casos e não vejo razão para alterá-la”, acrescentou. O pré-candidato estava ao lado da mulher e filhos, um deles o bebê Miguel (homenagem ao avô, Miguel Arraes), que nasceu com Síndrome de Down. “Minha vida como cidadão e pai de cinco filhos já responde a pergunta”, disse, dirigindo-se aos jornalistas.

Alexandre Padilha não quis falar sobre política, mas desembarcou em Aparecida no ônibus com o qual percorre o Estado. Neste domingo ele se encontrava em São José dos Campos, participando do Camping Digital do PT, para onde retornou depois da missa.

O presidente estadual do PSB, Márcio França se debruça em números para traçar um quadro favorável à oposição. Segundo ele, Eduardo Campos tem vantagem no Nordeste, Aécio no Rio e Minas Gerais, enquanto no resto do País pode haver um empate. A grande dúvida, segundo ele, é o eleitorado paulista cuja opção ainda é a incógnita que tem justificado a revoada de presidenciáveis na capital e no Estado. Quem ganhar em São Paulo lidera o Sudeste, o colégio mais denso do Brasil.

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