PT defende ultimato a ministro do PSB

Por Ricardo Galhardo e Clarissa Oliveira - iG São Paulo e iG Brasília | - Atualizada às

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Para os petistas, ou Fernando Bezerra aceita se filiar ao partido e disputar o governo de Pernambuco pelo PT no ano que vem ou deve deixar a pasta o mais rápido possível

A direção do PT defende que o governo dê um ultimato ao ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra (PSB). Para os petistas, ou Bezerra aceita se filiar ao partido e disputar o governo de Pernambuco pelo PT no ano que vem ou deve deixar a pasta o mais rápido possível. A posição seria exposta em reunião entre o presidente nacional do partido, Rui Falcão, a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira em Brasília.

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Lula, Dilma e a direção do PT se reuniram para decidir sobre o futuro do PSB no governo. O PT defende que os aliados do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), entreguem seus cargos imediatamente. O partido tem dois ministros. Leônidas Cristino, da Secretaria dos Portos, foi indicado pelo governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), que diz apoiar a candidatura de Dilma em 2014. O ministro é o mais cotado para disputar a sucessão de Cid com apoio da família Gomes e deve deixar o governo naturalmente.

Agência Brasil
Bezerra foi indicado por Eduardo Campos, mas é objeto de admiração na direção petista

Bezerra foi indicado por Eduardo Campos, mas é objeto de admiração na direção petista, que tem feito sondagens sobre a possibilidade de o ministro trocar de partido e disputar o governo de Pernambuco pelo PT. “Agora é hora de darmos um ultimato. O Fernando tem que escolher se fica conosco ou com Eduardo Campos. Não dá mais para ficar com um pé em cada canoa”, disse um alto dirigente petista.

Além dos ministros, o PSB controla desde o início do governo Lula, em 2002, diversos cargos no segundo e terceiro escalões. Entre eles as superintendências de desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e Centro-Oeste (Sudeco). No entanto, nem o PT sabe quantos e quais cargos são controlados atualmente por aliados de Campos.

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“Depois de tanto tempo não dá mais para saber. O governo está cheio de ‘escondidinhos’. A gente só descobre quem é o padrinho quando mexe e alguém grita lá em cima”, disse um cardeal petista.

Enquanto o PT defende abertamente o rompimento imediato com o PSB desde que Campos apareceu ao lado do tucano Aécio Neves, Lula é mais cauteloso. Ele ainda acredita na possibilidade de Campos desistir da candidatura e recompor o amplo arco de alianças que elegeu Dilma em 2010. Apesar dos sinais negativos, o ex-presidente confia na própria capacidade de convencer o governador pernambucano, com quem tem uma relação paternal.

No PT, Campos já é tratado como adversário. O vice-presidente do partido, Alberto Cantalice, chegou a publicar notas no Twitter cobrando publicamente a entrega dos cargos do PSB e chamando Campos de “quinta coluna”.

Dentro do PSB, a pressão para que o partido entregue os cargos no governo Dilma e assuma de imediato a candidatura de Campos aumentou significativamente nos últimos meses. Uma corrente, integrada por alguns dos aliados mais próximos do governador pernambucano, argumenta que o melhor seria fazer a ruptura já em outubro. Outro grupo, entretanto, diz que a exposição imediata como candidato ao Planalto renderia mais problemas do que frutos. Para os integrantes dessa ala, o melhor é esperar ao menos até que estejam seladas algumas alianças para a eleição.

Campos, nas conversas reservadas, tem se mostrado mais inclinado a esperar até o ano que vem para falar abertamente na campanha. Costuma repetir que o melhor é não tomar decisões com base nas pressões lançadas sobre sua candidatura. O socialista ainda se mostra incomodado com o jogo feito por Lula e ressalta que uma ruptura antecipada com Dilma poderia deixa-lo exposto antes da hora a ataques de adversários.

Abertamente, aliados de Eduardo Campos não disfarçam o incômodo com a movimentação de Lula, Dilma e PT em torno do assunto. “Nós mantemos, em todos os momentos, um espírito colaborativo dentro deste governo. E o nosso entendimento é que nós temos uma responsabilidade com o país. Não é uma responsabilidade com Dilma, Lula ou com o PT, mas com o governo do qual participamos”, afirma o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), um dos articuladores da candidatura de Campos.

“O próprio Eduardo Campos diz que o momento é de cuidar de 2013 e deixar 2014 para 2014. O governo Dilma pode querer romper com essa colaboração já em 2013. Mas o fato é que não é isso que vai definir se teremos ou não candidato no ano que vem. O projeto do PSB é um processo natural, que vai seguir seu curso de uma forma ou de outra”, completou o socialista.

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