Sob manifestações a favor e contra, Câmara de São Paulo aprova homenagem à Rota

Por Natália Peixoto - iG São Paulo | - Atualizada às

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Votação da Salva de Prata, proposta pelo Coronel Telhada (PSDB), teve 37 votos favoráveis e 15 contrários; cinco manifestantes foram retirados do plenário

A Câmara de São Paulo aprovou nesta terça-feira em meio a protestos e tumultos a Salva de Prata para a Rorta (Rotas Ostensivas Tobias de Aguiar), proposta pelo Coronel Telhada (PSBD), ex-comandante do batalhão. Foi a quinta tentativa de votação do projeto, que teve apoio de 37 dos 55 vereadores. Foram 15 votos contrários do PT, PV, PSOL, PC do B e PPS.

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A votação foi marcada por manifestações favoráveis e contrárias de grupos ligados a Polícia Militar (PM) e a movimentos sociais. Cerca de 150 pessoas lotaram as galerias da Câmara e houve confusão depois que o presidente da Casa, o vereador José Américo (PT), pediu para retirar cinco manifestantes, que foram levados à força pela PM. Um deles, que se identificou apenas como H.D., disse que não estava fazendo nada e que foi agredido com tapas arrastado para fora da galeria.

Américo não falou com a imprensa, mas disse, por meio de sua assessoria, que seguiu o regimento da Casa que proíbe a permanência de pessoas que se manifestem sobre o que acontece no plenário.

Natália Peixoto / iG São Paulo
Câmara de São Paulo aprova homenagem à Rota; veja como votaram os vereadores

Para Telhada, a aprovação do projeto foi "um sucesso" e só garante o direito de seu mandato de homenagear quem ele quiser. "Nesta Casa são dois pesos e duas medidas, quando a homenagem é deles, pode. Acho que o problema não é a Rota, mas sou eu", disse o tucano.

O vereador Orlando Silva (PC do B), vice-líder do governo na Casa, também ancorou as manifestações contrárias à homenagem. "Hoje foi um dia triste", disse. "Esse debate serve, no mínimo, para reflexão, porque a conduta dessa instituição (a Rota) é questionável."

A confusão na Câmara começou na semana passada quando o vereador Toninho Vespoli pediu votação nominal para se aprovar a homenagem. Até então, o acordo era aprovar por votação simbólica, em que todos os presentes automaticamente votariam "sim". A crise em torno da homenagem travou a pauta da Casa e prejudicou as votações de projetos do governo, que estão paralisados. O líder do governo, Arselino Tatto disse que a Câmara precisa parar de "fazer birra" e dar continuidade aos trabalhos. "A cidade é muito grande para a Câmara Municipal ficar parada."

Com a aprovação, Telhada agora poderá promover uma solenidade na casa, com direito a coquetel, para entregar a placa, que custa cerca de R$ 350. Os manifestantes, que ficaram frustados hoje, prometem voltar no dia da cerimônia, ainda não marcada. "Nunca houve na história dessa Câmara tanta resistência a uma Salva de Prata. Nós mostramos para eles (os vereadores) que eles não podem fazer o que quiserem", disse Miguel Angelo, estudante que protestava contra a homenagem.

Medalha Anchieta

Telhada também é autor do projeto que concede a Medalha Anchieta para o ex-tenente Dimas Mecca, denunciado na Operação Castelinho, pela participação na morte de 11 supostos integrantes do PCC em 2002, em uma rodovia no interior de São Paulo. Também polêmico, o projeto ficou pendente de votação, com 15 votos contra e 12 a favor. "É uma hipocrisia política", atacou Telhada. "Esse pessoal, em época de eleição, vai pedir voto para polícia, dizer que gosta de polícia, está mostrando que é tudo mentira."

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