Senado gasta R$ 215 mil para trocar TVs; senadores dizem não ver necessidade

Por Wilson Lima - iG Brasília | - Atualizada às

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Compra ocorre menos de dois anos após última substituição realizada pela Casa; novos aparelhos terão visor de LED e tecnologia SmarTV

O Senado gastou R$ 215 mil na compra de 162 novos televisores tipo LED, full HD, com tecnologia SmartTV, para serem instalados nos gabinetes e alguns órgãos da Casa legislativa. O procedimento licitatório para a compra destes aparelhos foi concluído na semana passada. Senadores ouvidos pelo iG questionam a aquisição, principalmente pelo fato de que ela ocorre dois anos após a última grande licitação realizada pelo Senado para aquisição de aparelhos semelhantes.

No segundo semestre de 2011, o Senado adquiriu 190 televisores. Desses, 89 eram também tipo LED e outros 101 eram do tipo LCD. Os aparelhos foram instalados em gabinetes e demais dependências da Casa. Esses televisores comprados no final de 2011 já detinham tecnologia full HD, conversor integrado de TV digital, entrada HDMI. A principal diferença entre os aparelhos adquiridos em 2011 e os atuais é que os anteriores não possuíam tecnologia SmartTV.

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A nova licitação foi aberta em 22 de abril deste ano, prevendo a compra de 81 televisores LED de 32 polegadas e outros 81 aparelhos de 42 polegadas. O pregão foi realizado em maio e, na semana passada, a ata de registro de preços foi assinada. Com as TVs de 32 polegadas, o Senado gastará R$ 93.150 e, com as de 42 polegadas, mais R$ 122.310. Os contratos estão em vigência desde a terça-feira da semana passada.

O iG apurou que as empresas vencedoras da concorrência esperam apenas o pagamento do empenho para instalar os aparelhos nos gabinetes e dependências da Casa. Essas empresas, uma de Goiás e outra do Paraná, têm 30 dias a partir do pagamento do empenho para entregar os novos televisores aos gabinetes dos senadores.

Essas televisões que serão instaladas na Casa contarão, a partir de agora, com conexão à internet e aceitam a leitura de pen drive e resolução mínima de 1.080 x 1.920. Além disso, cada televisão tem um ano de garantia e assistência técnica. Segundo o Senado, os novos televisores suprirão “as necessidades de trabalho dos gabinetes parlamentares e das unidades administrativas”.

Senadores ouvidos pelo iG, no entanto, afirmam que são poucos os parlamentares que, de fato, utilizam televisores no exercício da função. Além disso, eles afirmaram que não havia necessidade para um gasto desse tipo principalmente pelo fato de que os televisores que estão em gabinetes ou nas salas de espera funcionam perfeitamente, atendem às necessidades dos parlamentares e já possuem tecnologia LCD ou LED.

Senador do PSDB Alvaro Dias questiona a compra de TVs pelo Senado


Ainda segundo esses senadores, essa compra também vai contra o que vem pregando o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), de economizar aproximadamente R$ 300 milhões no biênio 2013/2014.

“A atividade legislativa é intensa e não há tempo para assistir à TV. Eu acompanho as sessões diretamente em plenário e, mesmo assim, a TV do meu gabinete não tem nenhum problema. Eu não vejo motivo algum para essa compra”, disse o senador Alvaro Dias (PSDB-PR). “A televisão LCD do meu gabinete funciona perfeitamente. Não vejo motivos para gastar novamente com isso”, complementou o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP). “Eu estou satisfeito com os televisores do meu gabinete”, emendou o senador Agripino Maia (DEM-RN).

“A única razão para essa compra é de fato a tecnologia SmartTV. Mas isso é algo que poucos senadores usam. Acredito que quase nenhum, principalmente os mais antigos. E, mesmo assim, não é nada essencial. Hoje, consigo trabalhar perfeitamente fazendo apresentação em um data show ligado à televisão do meu gabinete”, disse um senador que preferiu não se identificar.

Oficialmente, o Senado afirma que essas novas TV serão utilizadas como “ferramenta de trabalho”. “Os recursos disponíveis nos novos televisores facilitam a realização de reuniões, acompanhamento das sessões legislativas e noticiário em geral, inclusive simultaneamente. A tecnologia LED foi selecionada em função da economia de energia elétrica que pode chegar a até 40% do consumo da tecnologia similar em LCD”, justificou o Senado.

“Os pedidos de instalação se justificam pela própria característica dos televisores modernos que se tornaram equipamentos multifuncionais que agregam além de transmissão de TV a possibilidade de se transformarem em monitores, com acesso a internet e computadores”, informou o Senado por meio de nota.

Em 2011, dos 190 televisores LED adquiridas, três eram de 22 polegadas; cinco de 24 polegadas, 81 de 32 polegadas, 81 de 42 polegadas e 20 de 55 polegadas. Na época, a Casa gastou cerca de R$ 490 mil. Além de televisores, essa licitação, realizada em julho de 2011, visava a compra de suportes e aparelhos de Blu-Ray e DVD. Os televisores que serão substituídos nos gabinetes serão leiloados como ocorre com qualquer bem considerado sem uso pelo Senado.

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