Relator da CPI do Cachoeira retira acusações a Roberto Gurgel do relatório

Deputado Odair Cunha também suprimiu do documento final os pedidos de indiciamento de cinco jornalistas; leitura do relatório foi realizada em sessão tumultuada

iG São Paulo | - Atualizada às

Pressionado pela oposição e até por parlamentares governistas, o deputado Odair Cunha (PT-MG), relator da CPI do Cachoeira , alterou o texto de seu relatório final com a conclusão dos trabalhos da comissão. Da nova versão, lida nesta quarta-feira após dois adiamentos , foram retirados os pedidos de investigação contra o procurador-geral da República , Roberto Gurgel, e de indiciamento de cinco jornalistas, entre eles, Policarpo Júnior, da sucursal da revista Veja em Brasília.

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O relator voltou a afirmar que os pedidos de investigação eram questões “não centrais” e que, portanto, poderiam ser excluídas do texto. "São questões importantes, mas o ponto central de nosso relatório é o núcleo da organização criminosa comandada por Cachoeira", disse.

Com a apresentação de um pedido de vista coletivo, abriu-se prazo de cinco dias úteis, a votação do relatório ficou marcada para o dia 5 de dezembro.

A sessão desta quarta-feira foi marcada mais uma vez por discussão entre os parlamentares, que não se entenderam sobre o procedimento regimental a ser adotado para a leitura. A reunião, que começou com atrase de quase uma hora, chegou a ser suspensa para que os parlamentares recebessem cópias das 89 páginas do sumário preparado pelo relator.

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Houve também quem reclamasse que a leitura não poderia ser feita, uma vez que Cunha suprimiu duas partes do texto, o que implicaria a necessidade de mais prazo para que os integrantes fizessem um re-exame da matéria.

O relatório de Cunha acusa mais de 40 pessoas de ter ligação direta com o esquema ilegal de Carlinhos Cachoeira, suspeito de comandar uma quadrilha ligada à exploração de jogos ilegais, envolvendo servidores públicos e privados. 

Entre os que tiveram pedido de indiciamento, estão o próprio contraventor, por oito crimes (peculato, advocacia administrativa, tráfico de influência, corrupção ativa, fraude a licitações, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e responsabilização pela Lei de Improbidade Administrativa) e o empresário Fernando Cavendish, ex-presidente da construtora Delta, por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Antes, cinco jornalistas também eram citados como partes da quadrilha, entre eles Policarpo Júnior, da revista Veja .

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Entre os políticos responsabilizados estão o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), por sete crimes (quadrilha, corrupção passiva, tráfico de influência, falso testemunho, lavagem de dinheiro, crime contra Lei de Licitações, e advocacia administrativa, que é o uso indevido das facilidades do cargo ou das funções que ocupa); o prefeito de Palmas, Raul Filho (PT), por quatro crimes (corrupção passiva, advocacia administrativa, lavagem de dinheiro e improbidade administrativa); o deputado federal Carlos Leréia (PSDB-GO) por seis crimes (formação de quadrilha, corrupção passiva, advocacia administrativa, violação de sigilo funcional, tráfico de influência e lavagem de dinheiro) e o senador cassado Demóstenes Torres por cinco crimes (quadrilha, corrupção passiva, peculato, advocacia administrativa e improbidade administrativa).

O texto pedia a investigação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel , pois, segundo o relator afirmara anteriormente, Gurgel suspendeu "sem justificativas" as investigações da Operação Vegas, da Polícia Federal, iniciada em 2009, que apontou os primeiros indícios de ligação do contraventor com parlamentares, como Demóstenes.

Com Agência Senado

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