Empresário que pagou R$ 1,4 milhão por casa de Perillo não tinha bens em 2008

Walter Paulo Santiago afirmou na CPI ter pago imóvel em notas de R$ 50 e $ 100; quando se candidatou a vereador, três anos antes, declarou à Justiça não ter bens

Fred Raposo - iG Brasília |

O empresário Walter Paulo Santiago, que confirmou esta terça-feira na CPI do Cachoeira ter pago R$ 1,4 milhão em dinheiro pela casa do governador Marconi Perillo (PSDB) , declarou à Justiça Eleitoral há quatro anos não ter nenhum bem em seu nome.

Depoimento de Santiago:
- Empresário que comprou casa de Perillo nega relação com Cachoeira
- Empresário contradiz na CPI governador de Goiás sobre compra de imóvel

Reprodução/TSE
Em declaração enviada ao Tribunal Superior Eleitoral em 2008, Walter Paulo Santiago afirma não ter bens

A informação consta do registro de candidatura de Santiago no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), feita em 2008, quando o empresário concorreu a uma vaga de vereador na Câmara Municipal de Goiânia pelo Partido Trabalhista Cristão (PTC).

Na CPI, Santiago afirmou hoje ter pago o R$ 1,4 milhão de uma só vez, em julho do ano passado, em notas de R$ 50 e R$ 100. Segundo ele, o dinheiro foi entregue em "pacotinhos" a dois representantes de Perillo: Lúcio Fiuza, assessor especial do governador, e Wladimir Garcez, ex-vereador goiano que teria ligação com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Garcez também teria sido responsável por mostrar a Santiago a casa, localizada em Goiânia, que Perillo estaria interessado em vender. A versão do empresário, contudo, contradiz a do governador, que informou ter recebido o R$ 1,4 milhão em três cheques, emitidos por um sobrinho de Cachoeira.

Santiago, que é proprietário da Faculdade Padrão, assinalou que o imóvel foi registrado em nome da empresa Mestra Administração e Participações, da qual afirma ser apenas administrador. Segundo ele, o capital social da Mestra é de R$ 20 mil. “Mas faz negócios de milhões”, destacou.

Leia mais: Sobrinho de Cachoeira pagou compra da casa de Perillo, diz delegado à CPI

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Questionado pelos parlamentares sobre a origem dos recursos para a comprar da casa, ele disse que o dinheiro lhe foi entregue pelo contador da Mestra, chamado “Paulo”, e que teria saído de um empréstimo. Porém, não soube explicar a origem do empréstimo ou informar o faturamento anual da empresa. “Não sou contador”, disse.

Ele também deu explicação contraditória sobre o objetivo da compra do imóvel. Inicialmente, Santiago disse que a casa serviria como presente de casamento para uma de suas filhas. Em seguida, afirmou que comprara a casa para primeiro valorizar o imóvel para depois revendê-lo.

Interceptações telefônicas da Polícia Federal ligam, por mais de uma vez, Cachoeira a Santiago. Em uma das gravações, o contraventor tenta interceder a favor da Faculdade Padrão junto ao Ministério da Educação. Na outra, Cachoeira pede informações sobre processo envolvendo empresa do filho de Santiago. Ele negou qualquer relação com o contraventor.

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