Grupo sunita atribui ações a religião; texto que explica os atos foi divulgado em revista supostamente dirigida por extremistas

Militantes do Estado Islâmico raptam, escravizam e vendem mulheres e crianças Yazidi, de acordo com a edição mais recente de uma revista supostamente publicada pelos extremistas. É a primeira confirmação pública do grupo sobre essas alegações.

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Yazidi de 15 anos raptada pelo EI e que casou forçadamente com militante na Síria conversa com a AP depois de conseguir escapar do grupo em agosto (8/10)
AP
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A afirmação foi feita enquanto a ONG Human Rights Watch afirmou, no domingo, que centenas de homens, mulheres e crianças Yazidi estão sendo mantidos em cativeiro em centros de detenções improvisadas ​​no Iraque e na Síria por parte do grupo.

O texto diz que "É justificável que mulheres da etnia Yazidi sejam raptadas para serem concubinas e escravas sexuais conforme costume religioso" - dos espólios de guerra - teria escrito o grupo sunita no artigo intitulado "O Renascimento da Escravidão Antes da Hora", segundo informações do International Business Times. 

A edição da revista Dabiq afirmou ainda que "as famílias Yazidi escravizadas são vendidas por soldados do Estado islâmico", acrescentando que "mulheres Yazidi e crianças foram divididas de acordo com a sharia entre os combatentes do Estado Islâmico que participaram das operações no Sinjar."

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De acordo com o Ministério dos Direitos Humanos do Iraque, centenas de mulheres foram sequestradas pelos militantes, que consideram os yazidis uma seita herética. Alguns também alegaram que o grupo vende e escraviza mulheres e crianças, embora os próprios extremistas não haviam comentado nada sobre a questão até agora.

Apesar do apelo de imãs de todo o mundo, dizendo que o grupo militante é anti-islâmica, eles validam os raptos, abuso e estupro de mulheres de acordo com ensinamentos islâmicos. Logo na primeira edição da revista, o grupo alegou que o abuso de mulheres e o apedrejamento por adultério são justificáveis.

"Deve-se lembrar que escravizar as famílias da kuffar - os infiéis - e tendo suas mulheres como concubinas é um aspecto firmemente estabelecido da sharia ou lei islâmica", escreveu o EI.

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Uma mulher disse à Human Rights Watch que viu militantes do Estado islâmico comprarem meninas, uma delas por US$ 1 mil, segundo relatório. A Associated Press entrevistou independentemente uma série de mulheres e meninas Yazidi que escaparam do cativeiro e várias afirmaram que eles foram vendidos para lutadores Estado Islâmico no Iraque e na Síria.

A edição também inclui uma carta de Steven Sotloff à sua mãe. No texto, Sotloff teria dito que o EI gostaria de atender aos apelos de sua mãe. Mas a decisão do "presidente Barack Obama em implantar drones de espionagem sobre a Síria agravou a situação".

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Um artigo na edição tem uma assinatura de outro refém, o jornalista britânico John Cantlie, dizendo que ele havia aceitado seu destino "a menos que alguma coisa mude rápido e radicalmente, aguardo a minha vez [de ser decapitado pelos terroristas]."

A primeira edição da revista foi publicada em agosto e analistas afirmam que o layout lembra os usados no ocidente. Os componentes da revista como fotos e dispersão dos textos são bem trabalhados, o que implicaria o emprego de fotógrafos profissionais narrando todos os movimentos do grupo sunita.

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Além disso, as 56 páginas da quarta edição do veículo também trazem gráficos de massacres e imagens de seus "Serviços para os muçulmanos", com fotos de um lar do EI para idosos e um centro de tratamento de câncer para as crianças.

De acordo com Peter Neumann, diretor do Centro Internacional para o Estudo da Radicalização de Londres, a revista visa a recrutar jovens e racionalizar suas atrocidades.

"O objetivo não é fazer com que os jovens muçulmanos ocidentais radicalizados realizem ataques, mas que eles viagem para a Síria", disse ele.

*Com AP

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