Extremistas sunitas invadem universidade e fazem centenas de reféns no Iraque

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Grupo invadiu a universidade de Anbar e matou três guardas da instituição; nenhum aluno foi ferido, de acordo com autoridade

Extremistas atacaram uma universidade com centenas de estudantes na província de Anbar neste sábado (7), fazendo alunos reféns e deixando o local em meio a tiros, afirmaram funcionários e outras testemunhas.

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Reuters
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Enquanto isso, a luta em uma cidade do norte do Iraque já matou 21 policiais e 38 militantes, disseram as autoridades.

O ataque à Universidade Anbar acontece em meio as crescentes tensões entre muçulmanos sunitas e o governo, liderado por xiitas, em Bagdá. Enquanto explosões de bombas e tiroteios continuam entre os militantes e as forças aliadas ao governo, civis têm fugido da violência.

Neste sábado, homens armados mataram três policiais que guardavam a entrada da instituição e trancaram centenas de estudantes dentro de um dormitório, informaram funcionários. Sabah Karhout, o chefe do conselho da província de Anbar, afirmou que centenas de estudantes estavam dentro do complexo universitário quando o ataque começou.

Ahmed al-Mehamdi, um universitário que foi mantido refém, disse ter acordado com o barulho dos tiros, olhado pela janela e visto homens armados vestidos de preto espalhados por todo o campus. Minutos depois, o grupo entrou em um dormitório e mandou todos entrarem no quarto enquanto outros alunos eram levados para longe.

Os estudantes xiitas da escola estavam aterrorizados, de acordo com al-Mehamdi, quando os homens armados se identificaram como um grupo dissidente da Al-Qaeda conhecido como o Estado Islâmico do Iraque e do Levante. O grupo terrorista sunita, que lutava na Síria com outros rebeldes tentando derrubar o presidente Bashar Assad, é conhecido pelos ataques sangrentos em massa no Iraque contra xiitas, tidos como hereges. O Estado Islâmico não reivindicou imediatamente o ataque.

A universidade tem mais de 10 mil estudantes e é uma das maiores do país. Várias horas depois, homens armados deixaram o local em circunstâncias pouco claras. Os alunos, em seguida, embarcaram em ônibus fornecidos pelo governo local para fugir da escola, embora tiroteios tenham irrompido quando as forças de segurança atacaram militantes que se retiravam do local, segundo a polícia.

"Agradecemos a Deus que essa crise terminou quase de forma pacífica e nenhum estudante ficou ferido, até onde eu sei", disse al-Mehamdi por telefone.

Autoridades de segurança disseram preferir que especialistas em bombas revistem o local antes de entrarem em qualquer parte do edifício, temendo que os homens armados tenham deixados explosivos.

"Nenhum estudante ou membro da equipe da universidade ficou ferido durante o ataque. Todos eles foram para casa e o calvário acabou", disse Karhout.

O Iraque tem lidando com sua pior onda de violência desde o derramamento de sangue sectário de 2006 e 2007, quando o país foi empurrado para a beira da guerra civil, apesar da presença de dezenas de milhares de soldados norte-americanos.

No norte da cidade de Mosul, os confrontos entre forças de segurança e militantes sunitas continuaram neste sábado pelo segundo dia consecutivo. A polícia e funcionários de um necrotério disseram que somente neste sábado, 21 policiais e 38 militantes foram mortos.

A onda de violência tem sido alimentada pela raiva de muçulmanos sunitas contra o governo liderado por xiitas em Bagdá, assim como a guerra civil na vizinha Síria. O Estado Islâmico realizou dezenas de ataques mortais em ambos os lados da fronteira. Esses ataques incluem atentado coordenado no dia 21 de abril em uma faculdade privada xiita em Bagdá, onde quatro policiais e um professor foram mortos.

Combatentes ligados a Al-Qaeda e seus aliados ocuparam partes de Faluja e Ramadi no final de dezembro depois que autoridades desmantelaram acampamento dos manifestantes sunitas. Com medo de desencadear uma nova onda de violência, as forças de segurança se retiraram da região, permitindo que os militantes ocupassem as cidades. Em abril de 2013, um desmantelamento semelhante no Hawija provocou violentos confrontos e mortes. Dezenas de milhares de pessoas fugiram da violência.

*Com AP

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